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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Vida na prorrogação

Vida na prorrogação
Por: Antonio Pereira (Apon)

A imprensa baiana, continua a divulgar o alto e absurdo número de negativas à doação de órgãos no estado. Enquanto cerca de 4.000 pessoas aguardam na fila de transplantes, a indiferença de uns e o egoísmo de outros, joga no “lixo” a oportunidade de salvar vidas.
Muitas pessoas, pensam e agem como se elas e seus afetos, estivessem livres de um dia precisarem de uma doação de órgãos. Não se colocam no lugar do outro, de seus familiares e amigos. Anestesiam coração e mente em relação ao sofrimento alheio, escondem-se atrás da emoção da perda, para justificar o que em última instância representa, pura e simplesmente, o velho egoísmo do ser humano.
Muita gente é capaz de dar a própria vida por seus parentes e amigos, no entanto, negam-se a testemunhar uma parcela desse amor por alguém que não integra seu círculo de relações. Optando a entregar aos vermes da morte, órgãos que poderiam permanecer vivos, dando vida, celebrando a fraternidade, a solidariedade e a humanidade, que escasseiam nessa sociedade cada vez mais individualista e omissa.
Por outro lado, precisamos de mais campanhas de esclarecimento sobre doação e transplante, resolver o imoral descalabro em que se encontra o serviço público de saúde, sensibilizar as equipes hospitalares para a notificação e montar uma logística realmente eficiente para minimizar as perdas e otimizar as captações. Sem esquecer o pós transplante com atendimento e acompanhamento digno das necessidades dos transplantados.
Desculpem-me pelas colocações duras, mas vidas e vidas se perdem, quando poderiam ser salvas, tantas dores poderiam ser aliviadas. Converse com seus parentes, diga que é doador e no dia que você morrer, seu espírito seguirá conforme a sua crença. Sendo materialista, sua vida terá uma espécie de “prorrogação em outros. Ambos representarão vida para alguém, em vez de apodrecer no túmulo, como repasto de parasitas.

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