Este texto é contra-indicado para os rigoristas e puristas ortodoxos que consideram textos literários, mensagens, parábolas e analogias, como coisas piegas e não harmônicas com a doutrina espírita. Não ignoramos o movimento de rotação da terra, mas usamos aqui algo conhecido como sentido figurado.
Um portal!
Por: Antonio Pereira (Apon)
Um sábio caminhava com um seu discípulo na praia ao entardecer, quando o jovem aprendiz perguntou:
- Mestre, o que é a morte?
- A morte é o intervalo entre duas existências corpóreas
- Como assim?
- A morte é semelhante a noite que separa dois dias. Nosso espírito é como o sol, nosso corpo é como um dia.
- Não estou conseguindo entender...
- O sol que se põe hoje, é o mesmo sol que resurgirá amanhã. Mas o hoje e o amanhã são dias diferentes, ainda que brilhe o mesmo sol. Durante a noite, o "astro rei", cintila do outro lado da terra e não podemos vê-lo daqui, senão através da lua, que funciona como uma médium a refletir seu lume.
- Mas, e a morte?
- O espírito humano, é o sol que fulgura em cada um de nós. No ocaso de uma existência terrena, encerra-se um ciclo e como o dia que se vai, deixamos o corpo e vamos luzir do outro lado da vida, numa noite chamada erraticidade, um período onde perdemos Parcialmente o contato com o mundo físico, até que possamos reencarnar, renascer num corpo novo, como o amanhecer de um novo dia. Assim cumprimos o ciclo natural da vida.
- Então a morte é uma passagem?
- Uma ponte, um simples brincar de esconde-esconde. Hora aqui, hora lá. Um trocar personagens, permutar cenários. O fechar um capítulo dos múltiplos capítulos de nossa evolução, um "virar a página", um seguir em frente... Na verdade, não existe morte, sim o desencarne, o deixar a carne. Assim como a cova é o berço da semente, o túmulo é o portal para um novo existir.
Os dois seguiram em silêncio, enquanto o crepúsculo recolhia os derradeiros raios de luz.

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