A arte da vida. Apon HP


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Nossos escritos mais recentes:



sábado, 28 de setembro de 2013

A fila há de andar



Aonde a ficção oficial não vai além da propaganda, onde só a desassistência assiste. Já não sorri a criança...


Fila.


Na fila da vida,

uma gente indigente,

errante penitente;

ruminando azar e sorte,

aguardando a morte chegar.

Numa “Biafra nordestina”,

ressequidos destinos vão carpindo sua sina;

numa desgraçada cracolândia,

no Haiti de cada gueto...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Vaso de poesia



Do pouco, o muito; do simples, o complexo. Na poesia: “Em se plantando, tudo dá”.

Antonio Pereira Apon.


Flores e pedras.

Em um vaso;

cabe flores, cabem cores;

cabe um tanto de jardim.

Cabe um que de primavera,

porção de terra da Terra;

cabe um quinhão de mim.

Cabe uma dose de sonho,

parte finita de infinito,

minifúndio para se assenhorear.

Cabe uma fração de vida,

fragmento de lida,

semente a germinar.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Quem “não quer se aborrecer”, pode terminar aborrecido



A ilusória fuga de alguns aborrecimentos. Costuma ser o caminho mais curto para maiores aborrecimentos.


Antonio Pereira Apon.


Gato marrom.


A pretexto de não se aborrecer, algumas pessoas sobrevivem engolindo uma indigesta, aborrecida e aborrecedora ração de “sapos, cobras e lagartos”:

Em casa, os filhos se recusam a ajudar nas atividades domésticas, apesar de consumirem, sujarem, bagunçarem... Crescem na idade e estacionam na imaturidade, eternos “filhinhos de papai (e de mamãe)”. Se gasta o que tem, o que não tem e mais alguma coisa. É quando surge o tal do: “Para não me aborrecer”... Alguém arca com a sobrecarga de tarefas que outrem poderia e deveria fazer; além de “se arrebentar” de trabalhar, para bancar a gastança desregrada.


Na vizinhança: Um discute relação às duas da manhã, outro põe o som naquelas alturas, violentando os ouvidos adjacentes com seu dissonante lixo pagodeiro; tem quem suje a porta alheia... Mas, em nome da “política de boa vizinhança” e: “Para não me aborrecer”...


Estudando: Tem aquele colega que não estuda, atrapalha a aula e na hora da avaliação, fica ali colado, colando. E no trabalho de grupo? O parasita não colabora, mas quer seu nome na lista para ter sua imerecida nota. “Para não me aborrecer”...

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O sonho. Desejo de um doador



... quero doar os órgãos que já não me servem, como doei aquele monte de brinquedos com os quais eu não mais brincava, mais que fizeram a alegria das crianças do orfanato; e as roupas “ainda boas” que já não davam em mim, os sapatos que eu “perdia tão rápido”...

Antonio Pereira Apon.


Mãos com uma flor.

Euclides, um motoboy, como de costume, estava com extrema pressa para fazer suas entregas. Vinha já em considerável velocidade, quando percebeu o semáforo entrar no amarelo. Acelerou tudo o que pôde, calculando que conseguiria ultrapassar o ônibus que ia a sua frente e fazer a curva antes do sinal ficar vermelho. Errara por poucos centímetros... Atingido pelo coletivo, rodopiou na pista com sua moto e foi violentamente arremessado ao solo. Seu capacete “ching ling paraguaio”, não resistindo ao forte impacto com o asfalto, espatifou-se...


10 minutos se passaram para que as motolâncias do SAMU conseguissem vencer o crônico congestionamento de Salvador. Os dedicados socorristas conseguiram reverter o quadro de parada cardiorrespiratória que encontraram. Mais uma ressuscitação foi necessária durante os 20 longos minutos gastos pela ambulância para se desvencilhar de mais uma das endêmicas, abusivas e irracionais manifestações que tanto tumultuam o já caótico trânsito da cidade.


Em estado gravíssimo, aquele rapaz de 23 anos deu entrada no hospital 45 minutos após o acidente. Dois dias de coma já consumiam a pouca esperança dos seus familiares, que já cogitavam a possiblidade de doar ou não os órgãos do moço. Sua mãe, Dona Sara era radical e irredutivelmente contra. Mesmo uma vez o filho tendo revelado a intenção de ser doador.