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sábado, 28 de setembro de 2013

A fila há de andar





Aonde a ficção oficial não vai além da propaganda, onde só a desassistência assiste. Já não sorri a criança...


Fila.


Na fila da vida,

uma gente indigente,

errante penitente;

ruminando azar e sorte,

aguardando a morte chegar.

Numa “Biafra nordestina”,

ressequidos destinos vão carpindo sua sina;

numa desgraçada cracolândia,

no Haiti de cada gueto...

Aonde a ficção oficial não vai além da propaganda.

No planalto central:

Um faz de conta,

um disse que disse que nada diz.

Apócrifa devoção,

dos que só rendem graças a “Nossa Senhora da eleição”.

Onde só a desassistência assiste:

Já não sorri a criança,

não se engana a maturidade.

Quem provou indigesta desilusão;

já não compra a fé posta a preço,

nem aposta no mercar a salvação.

Anônimos figurantes,

mal representados coadjuvantes;

desejam a si próprios representantes.

Nesse drama dessa lida,

nessa fila dessa vida,

triste procissão,

amargo féretro da ilusão.

Despida a falsidade,

desnudada a dissimulação;...

não haverá bolsa que compre a realidade,

que impeça essa fila de andar,

resgatar a amarfanhada esperança,

reacender de um povo o sonhar.


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Foto do autor: Antonio Pereira (Apon).


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10 comentários:

  1. Querido amigo, Poeta!
    Esse "disse que disse, que nada diz" anda a nos cansar, faz tempo!
    Quem dera chegar o tempo de se fazer algo!
    Quem dera eu estar por aí a ver esse tempo chegar!
    Quem dera!
    Tenha um lindo fim de semana!
    Beijos!

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    Respostas
    1. Como canta Caetano em "podres poderes":

      "Enquanto os homens exercem
      Seus podres poderes
      Morrer e matar de fome
      De raiva e de sede
      São tantas vezes
      Gestos naturais..."

      Um abração.

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  2. As desassistências são tantas, Antonio; os desafetos triplicam; as amarguras calam tão fundo que nossa gente humilde (conforme a canção escolhida) vive sufocada mesmo... Que vai em frente... Sem nem ter com quem contar...
    Excelente e propícia abordagem a sua!
    Abraço,
    Célia.

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    Respostas
    1. Os Paralamas do Sucesso bem retratam isso em "Alagados". Uma realidade que se aplica a todo Brasil:

      "Todo dia o sol da manhã
      Vem e lhes desafia
      Traz do sonho pro mundo
      Quem já não o queria
      Palafitas, trapiches, farrapos
      Filhos da mesma agonia
      E a cidade que tem braços abertos
      Num cartão postal
      Com os punhos fechados na vida real
      Lhe nega oportunidades
      Mostra a face dura do mal
      Alagados, Trenchtown, Favela da Maré
      A esperança não vem do mar
      Nem das antenas de TV
      A arte de viver da fé
      Só não se sabe fé em quê"...

      Obrigado, Célia. Um abração.

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  3. Meu amigo poeta, é preciso mesmo que se sinta que o quadro não muda, que em épocas contemporâneas ainda veremos tantos e tantos descalabros nesse país, é preciso crer que "a fila há de andar", pois a esperança não morre, é ela que nos move, sempre, foi a única coisa que restou "na caixa de pandora"!
    Abraços e tenhas um lindo fim de semana!

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    Respostas
    1. A desigualdade é antiga e os políticos a vão empurrando com a barriga. Para os que não se fazem deliberadamente indiferentes a tudo isso, a tocante "Gente humilde". Letra composta em 1969, por Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Holanda, música do grande violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha). Um belo choro de 1952.

      "Tem certos dias
      Em que eu penso em minha gente
      E sinto assim
      Todo o meu peito se apertar
      Porque parece
      Que acontece de repente
      Feito um desejo de eu viver
      Sem me notar
      Igual a como
      Quando eu passo no subúrbio
      Eu muito bem
      Vindo de trem de algum lugar
      E aí me dá
      Como uma inveja dessa gente
      Que vai em frente
      Sem nem ter com quem contar

      São casas simples
      Com cadeiras na calçada
      E na fachada
      Escrito em cima que é um lar
      Pela varanda
      Flores tristes e baldias
      Como a alegria
      Que não tem onde encostar
      E aí me dá uma tristeza
      No meu peito
      Feito um despeito
      De eu não ter como lutar
      E eu que não creio
      Peço a Deus por minha gente
      É gente humilde
      Que vontade de chorar".

      Obrigado, Ivone. Um abração.

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  4. Nada mais triste do que observar os mendigos na rua; os mais velhos com o chapéu na mão e, os mais jovens de garrafas e latas cheias de desesperança. Um abraço, Yayá.

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    1. "garrafas e latas cheias de desesperança". Você sintetizou tudo nessa metáfora. Enquanto isso. Os "donos do poder" se fartam com o que falta a essa gente.

      Obrigado. Um abração.

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  5. Oi, Antônio!

    Texto poético, como sempre inteligente e de um realismo que até dói.

    Isso se passa por todo o mundo, mas se Deus quiser, as coisas mudarão, porque Deus é JUSTO.

    E o que ELE prometeu, se irá cumprir.

    Um abração da Luz.

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    1. Enquanto a providência divina não resgata a cidadania de nossa gente, as filas desandam...

      Obrigado, Luz. Um abração.

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Antonio Pereira Apon.