A libertação das cores e o renascer da Arte



Não existe arte de verdade sem liberdade, e não há liberdade de verdade, onde a arte é censurada.


Antonio Pereira Apon.


Aurora colorida.


Uma terrível feiticeira resolveu aprisionar todas as cores. Aquele mundo colorido, afrontava a escuridão do seu ser. Aquela alma tisnada de maldade e amargor, começou a capturar as cores, uma após outra. Como cada cor representa uma porção da luz, tudo foi pouco a pouco escurecendo, até que a humanidade abismou-se numa tenebrosa escuridão.


Mas, para seu desgosto e incompreensão, a trevosa criatura não conseguiu encarcerar o branco. A megera
Não entendia o que o diferenciava das demais, por que não o encontrava em parte alguma? Um misto de inveja e medo, torturava o soturno ente, ante a simples lembrança daquela alva claridade que se contrapunha a obscuridade de seu pretume.


Contudo, as cores não aceitavam passivamente o cativeiro: Num instante era um espocar de vermelho, noutro um raio azul, um facho amarelo, um fleche verde, um foco laranja... Assombrando a tirana, desafiando sua opressão. Até que um dia, conseguiram se manifestar juntas. Agrupadas, unidas, consorciadas, irmanadas, misturadas... Produziram ao mais brilhante e clarificante luz branca. O preto da falta de luz absoluta, dissolveu-se, a vilã fugiu aturdida. Foi refugiar-se nos subterrâneos, no submundo do próprio vazio.


Àquele magnífico branco produzido pela inconformação das cores, podemos dar o nome de: Arte. A Bruxa? Censura!


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Comentários

  1. Adorei a criatividade do seu texto, Apon! Me fez pensar que a união é sempre fortalecedora e dissipa qualquer opressão. Um abraço!

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    1. É como bem sintetiza esses dois trechos da música "O sal da terra" de Beto Guedes e Ronaldo Bastos: "um mais um é sempre mais que dois" e "vamos precisar de todo mundo, pra banir do mundo a opressão". Para os defensores do tal "controle social da mídia" e outros eufemismos disfarçados de boas intenções. Cabe uma só resposta: Censura nunca mais!

      Um abração e uma boa semana.

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  2. Oi, António!

    Tudo bem?

    Agradeço sua visita a meu blogue, tal como as gentis palavras que lá deixou.

    Cá estamos, PELA PRIMEIRA VEZ, EM 2014 (creio não estar enganada) para continuarmos a trocar ideias e opiniões, que devem ser diversas e com cores.

    Olha, a vida tem de ser multicolor, caso não, fica sem graça. Imagina, o mar. É enorme e é azul, mas olhamos a praia e há areia, que não é azul, lógico, mas creme clarinha. As pessoas à nossa volta vestem de cores diferentes e a tonalidade de suas peles não é toda igual. Aí, é que reside a beleza dessa terra. A feiticeira sabia/desconhecia o BEM, e por isso aconteceu a chamada "REVOLTA DAS CORES".

    Lindo fim de semana.

    Aquele abraço.

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    1. Engano algum, certamente continuaremos nesse intercambio de amizade e literatura, essa reciproca troca de saberes e ideias.

      O mundo precisa e deve ser multicolorido e multi tons. Só os tiranos e os patologicamente amargurados é que intentam descolorir o existir, tornar endêmicas suas sombrias desilusões.

      Um abração e uma felicíssima semana.

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  3. Bom dia, António!

    Tudo bem?

    Fica faltando, sempre, qualquer "coisinha" no meu comentário. E o quê?

    Nem reparei na imagem, que encima seu texto. não me parece o arco-íris, mas as cores são lindas.

    Imagino, um crepúsculo, visto ao longe, e visualizo arbustos verdes, de pequena porte, por isso mesmo se chamam arbustos, e sobre eles se eleva mais verde. Depois o céu, para adocicar o verde, e finalmente, aquele tom cerise rosa forte, quase roxo, que nem sei como classificar, mas que dá muita cor e vida à imagem, ah, isso dá.

    Lhe desejo um bom domingo, primeiro dia da semana.

    Aquele abraço, de luz.

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    1. Bom domingo! Na verdade, a imagem mostra uma aurora boreal, um espetáculo da natureza que estimula a imaginação humana a adivinhar formas e passear por paisagens oníricas.

      Um abração.

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  4. Absolutamente adoráveis, suas palavras!!! Receba meus sinceros aplausos, amigo!
    Que 2014 te seja uma ano abençoado, beijos,
    Valéria

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    1. Obrigado pelos aplausos e votos, aos quais retribuo em múltiplos desejos de um bom e doce 2014.

      Um abração.

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Antonio Pereira Apon.

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