Pedra, fogo ou água?



... quem, como a água, aprendeu a contornar, encontrar brechas para transpor às pedras. Quando falta um caminho pronto, a água inventa o seu próprio caminho; infiltra-se e gota a gota, segue...


Antonio Pereira Apon.



Grand canion.


Falando sobre comportamento humano, tem gente que vive feito a pedra: Excessivamente rígida, contundente, inflexível, indiferente... Aparentando uma inamovível solidez. Há quem se assemelhe ao fogo: Inclemente, devastador, implacável... Avança atropelando tudo e todos. Uns e outros costumam acharem-se autossuficientes e inatingíveis, improvisando uma onipotência acima dos prosaicos mortais.


Mas, existe quem, como a água, aprendeu a contornar, encontrar brechas para transpor às pedras. Quando falta um caminho pronto, a água inventa o seu próprio caminho; infiltra-se e gota a gota, segue em frente. Paciente, insistente e persistente, ela vai aparando arestas, transformando e polindo a teimosa resistência das jacentes pedras. Pessoas assim, vão dia a dia reinventando o tal “jogo de cintura”, para abrir cânions, vales entre as pedreiras do cotidiano.


Diante do fogo, a água busca neutralizar, conter o combustível que alimenta as labaredas, debelando as egocêntricas chamas. Por vezes, basta uma “chuvinha”, para apagar um fogaréu. Água. Plácida, humilde, tranquila... Mas, se preciso: Veemente tempestade, convincente tsunami.


Para muitos é desnecessário, para outros, é sempre oportuno repetir a pergunta do título: Pedra, fogo ou água?


Subscreva aos destaques RSS de:
Powered by FeedBurner

Comentários

  1. No momento, Antônio... sou mais Água...
    Adorei a reflexão!
    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Temos um pouco de cada coisa, sabendo dosar com discernimento, prevalece o nosso melhor.

      Um abração.

      Excluir
  2. Lindo post, reflexivo, acho que todos nós nos assemelhamos com todos esses elementos em algum ponto do caminho, mas com o tempo vamos aprendendo a sermos como a água, pois é, aprendemos a contornar, a achar brechas, a sair dos apertos que é inerente ao ser humano!
    Abraços apertados meu amigo poeta querido!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Educando nossas porções pedra e fogo, nossa parte água, pode fluir com sabedoria.

      Um abração.

      Excluir
  3. Olá, António!

    Que pergunta inteligente, mas de difícil resposta!

    Li, seu texto, e fiquei boquiaberta com a veracidade e lucidez do mesmo.

    De facto, há gente assim: PEDRA, mas sabe há um provérbio cá, que diz: "água mole em pedra dura, tanto dá, até que fura".

    Todos os comportamentos excessivos, têm, sempre, uma resposta pronta, rápida e bem direta.

    Não sei responder à sua questão, mas ÁGUA, NÃO SOU, NÃO. Virginiana, água? Não, decididamente. Eu sou terra, toda terra, inteira, e de pés bem assentes nela.

    Dias e noites bem felizes e coerentes.

    Aquele abraço, bem terreno, da Luz.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Temos em nós um pouco de cada elemento, equacioná-los com sabedoria é o grande desafio do viver. O problema são as pessoas que se comprazem na sua porção pedra ou fogo. São personas intratáveis, que vivem se perdendo de tanto "se acharem". O ditado, aqui muda só uma palavra: "Água mole em pedra dura, tanto bate, até que fura".

      Um abração.

      Excluir

Postar um comentário

Obrigado por ler e comentar nosso texto. Esse espaço é feito para você. Volte sempre!

Antonio Pereira Apon.

+ lidas nesses 30 dias

Apedra. Poema de Antonio Pereira (Apon). O distraído nela tropeçou...

Folclore brasileiro em acróstico

Precisa de tinta para escanear?

Anonimato, internet e o anel de Giges

Você não precisa de cerveja para ser feliz

A gente (Paródia de: A casa - Vinicius de Moraes)

Amigos não tão virtuais

Pai. Sem ser super, ser “Herói”