Meu defeito de estimação



... “irreparáveis”, possuem grande vocação, enorme “clarividência” para perceber defeitos alheios. Contudo, parecem alheias aos próprios. Não hesitam em sacar o dedo indicador, para apontar as culpas, os erros dos outros. Mas, parecem ignorar os três dedinhos que se voltam para as...


Antonio Pereira Apon.



Caixa de ferramentas.


Quando um objeto, um Equipamento apresenta um defeito, procuramos consertá-lo. Se não tem jeito ou não compensa repará-lo, providenciamos substituí-lo. Mas, pessoas nem sempre podem ser substituídas. Bem diferente das coisas, gente tem livre arbítrio, vontade. Precisa querer se consertar. Se não quiser, não tem psicólogo, psiquiatra, exorcista, pai de santo... Que resolva. Nem “Jesus na causa”!


Muitos, conservam uma acomodação pétrea. Deliberadamente acumulam crostas comportamentais, o limo da auto tolerância, a permissiva poeira da autoindulgência: Numa escola pública em que trabalhei. Quando a Secretaria de Educação proibiu o fumo no ambiente escolar, dois professores fumantes se posicionaram contrariamente. Um deles chegou a “argumentar”: “tenho direito ao meu vício”.


Paradoxalmente, pessoas “irreparáveis”, possuem grande vocação, enorme “clarividência” para perceber defeitos alheios. Contudo, parecem alheias aos próprios. Não hesitam em sacar o dedo indicador, para apontar as culpas, os erros dos outros. Mas, parecem ignorar os três dedinhos que se voltam para as suas mazelas.


Alguns se deleitam, sentem prazer, um quase orgasmo em seus defeitos: Arrogantes crônicos, invejosos compulsivos egocêntricos de berço, egoístas, malévolos, vaidosos, omissos, dissimulados, orgulhosos, hipócritas, corruptos... ...


Voluntariamente enfermos da alma, quando flagrados em suas caras patologias: “eu sei, mas não consigo mudar”, “Sou assim mesmo”, “um dia eu mudo”... No entanto, sob suas máscaras, bem ao estilo: “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, posam de conselheiros, juízes, donos da moral e toda razão.


Para quem quer se consertar, fica a lição de Joanna de Ângelis através da psicografia de Divaldo Franco: "Não basta conhecermos nossos defeitos; temos que desalojá-los, combatê-los e vencê-los.".



Postado aqui em 14 de março de 2014.


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Comentários

  1. Olá, Antonio!
    Sempre aborda as questões humanas (ou desumanas) de forma sábia!
    Olhar os problemas alheios, julgar e esquecer de olhar a si!
    ...Assim caminha a humanidade!
    Beijos!

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    1. Assim, fica "o roto falando do esfarrapado e o sujo do mal lavado".

      Um abração e uma boa semana.

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  2. Olá, António!

    Tudo bem?

    Um texto bem claro, realista e com muito interesse.

    Pois é, apontar defeitos, toda a gente sabe, mas apresentar alternativas, quase ninguém o faz.

    Todos temos defeitos, e será muito profícuo, se cada um de nós, for limando, eliminando, se possível, um a um.
    Bom fim de semana.

    Aquele abraço.

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    1. Muitos até ressaltam os defeitos alheios para tentar disfarçar os seus. Pensam enganar os outros, mas apenas se enganam.

      Um abração e uma boa semana.

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  3. Incrível o que acontece em "Salas de Professores"! Em reuniões pedagógicas! Sempre o "culpado" é o outro: do governo ao aluno e seus familiares - todos têm culpa... Mais fácil apontar que sanar suas próprias culpas e defasagens em relacionar-se! Acredito que em todos os setores onde há pessoas comprometidas com o "self" isso se comprova com imensa facilidade! Examinar nosso modo de ser e de agir é doloroso, e causa-nos, muitas vezes, constrangimentos severos. Deletam esse assunto e dizem que "os demais" não acompanham a evolução dos tempos! Será??
    Abraço.

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    1. É que, quando a culpa é dos outros. "Não podemos fazer nada", "não nos deixam fazer nada", "não nos dão condições"... E vamos seguindo confortavelmente de dedo em riste, atirando pedras no telhado de vidro alheio. Para reclamar, basta abrir a boca. Mudar? Mudar dá muito trabalho...

      Um abração e uma boa semana.

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  4. Oi, Apon, como vai? O comodismo diante dos defeitos é algo lamentável. A autoaceitação é necessária para que possamos mudar sem maiores angústias, mas não é motivo para acomodação. Defeitos todos temos, vamos nos lapidando aos pouco, o duro e enfrentar esse tipo de pessoa que vê os defeitos dos outros e age como se sempre precisássemos engolir os seus. Um abraço!

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    1. Ter defeitos, todos temos. Cultivá-los e intentar impô-los aos outros, é bem coisa de gente que quer ser tolerada justamente naquilo que não tolera nos demais. Gente hipócrita.

      Um abração e uma boa semana.

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  5. Gostei da excelente postagem para releitura! Valeu mesmo!
    Abraço.

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Antonio Pereira Apon.

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