Pena de vida



... minha cegueira, mas a de quem vê e não quer enxergar; implica, complica, apraz-se em não simplificar...


Pôr do sol pela janela.


Cativo de minhas escolhas,

desacertos dos meus acertos;

cumpro minha pena de vida.

Minha alegria hoje triste,

rumina sorrisos dormidos,

lembranças de tempos idos,

descoloridos;

restos do que não restou.

Sobrevivo adormecido,

qual velho livro,

mero adorno na estante;

acumulando o pó dos dias não lidos,

onde jaz a tinta ressequida,

sepultada nas pálidas folhas dormentes.

Nessa cadeia insana,

Desatinada bolha nonsense;

não me infelicita a minha cegueira,

mas a de quem vê e não quer enxergar;

implica,

complica,

apraz-se em não simplificar.

Insulando,

isolando,

ditando das horas o andar.

Sem o frescor da brisa,

sem perfume de flor,

murmúrio de mar,

sem do sol o alvor.

Meu computador.

Janela que me resta,

empresta a minha poesia o voar.



Foto do autor: Antonio Pereira (Apon).


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Comentários

  1. Olá meu caro,

    um lindo poema! A cegueira não depende só dos olhos... Há tantas almas cegas por aí!
    Grande abraço

    Leila

    ResponderExcluir
  2. Em seu poema Antonio, você nos contagia com seu olhar que vê, enxerga, e pontua-nos ações de dignidade e muita sabedoria de vida!
    Abraços.

    ResponderExcluir

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Antonio Pereira Apon.

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