O homem, a lama, o rio e o mar



... morre o Pai, o filho e depois do Espírito Santo, não vem amém. Chega a foz, vem o mar. Amargo enlamear...


Água.


Tiraram o nome do rio,

do rio o doce tiraram.

Desvale.

O vale sem rio doce.

Desvalido, desvaído,

lameado, poluído.

Num tique rompe-se o dique,

Químico rejeito em tsunami;

destroços do troço humano,

rejeitando e andando,

devastando todo o lugar.

Piracema ainda rima com poema,

mas já não dá poesia.

Sem defeso e sem defesa,

Indefesos;

do peixe,

morre o Pai, o filho

e depois do Espírito Santo,

não vem amém.

Chega a foz, vem o mar.

Amargo enlamear.

Mariana, a cidade, chora:

Por Marias, por Anas;

por toda existência, ainda que anônima,

mas sobrevivente, sofrente...

A quem culpar?

A algum terrorista?

Ao rio que se pôs no caminho?

O mar que não quis se mudar?

Algum vilarejo, “na hora errada e errado lugar”?...

Talvez uma CPI mista, com bastante orégano!

Chegue a uma conclusão inconclusa;

a um descuido do destino,

um castigo Divino,

conspiração interestelar.

Se esse não fosse um país tão sério...



Foto do autor: Antonio Pereira (Apon).


Nosso conteúdo é de direito reservado. Sua reprodução pode ser permitida, desde que
seja dado crédito ao autor original: Antonio Pereira (Apon). E inclua o link para o site: WWW.aponarte.com.br
É expressamente proibido o uso comercial e qualquer alteração, sem nossa prévia autorização.
Plágio é crime previsto no artigo 184 do Código Penal.
- Lei n° 9.610-98 sobre os Direitos Autorais
.



Fale conosco.


Subscreva aos destaques RSS de:
Powered by FeedBurner

Comentários

+ lidas nesses 30 dias

Apedra. Poema de Antonio Pereira (Apon). O distraído nela tropeçou...

Precisa de tinta para escanear?

Folclore brasileiro em acróstico

Anonimato, internet e o anel de Giges

Você não precisa de cerveja para ser feliz

A gente (Paródia de: A casa - Vinicius de Moraes)

Amigos não tão virtuais

Pai. Sem ser super, ser “Herói”