Manipulação seletiva, cidadania programada



... vai-se alardeando as superlativas virtudes e minimizando as “pequeninas” mazelas de quem está no poder, materializando o que dizia Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros”. Crise? A culpa é da Rede Globo, da oposição, dos EUA, dos “tucodemos”, da “elite golpista”...


Urna, fim da votação.


Que a política brasileira é uma pocilga, para dizer o mínimo, não é nenhuma novidade. Que o PT e em especial, o Lula, não inventaram e não são os únicos envolvidos em toda essa bandalheira, isso também é notório. A existência de uma elite racista e preconceituosa é inegável e a força da imprensa, idem.


É certo que temos que combater o mal feito, a corrupção em todas as facções políticas, em todos os tempos. E o ideal, é que isso se faça sem se “eleger” um “Judas” nem escolher uma “Geni” para jogar pedra. Urge limpar a “engrenagem suja” que retroalimenta o engenho da roubalheira e todo tipo de improbidade, ilegalidade e imoralidade desde a “carta de Caminha” até aqui.


Isso posto, vamos à análise do que acontece no Brasil atual, de forma eminentemente racional, pragmática e sem apaixonamentos.


Desde antes da Ditadura militar, a sociedade brasileira passa por uma constante e renovada tentativa de adestramento e subjugação ideológica, tanto por parte da direita como da esquerda. A velha situação de quem está no poder, manipular, escrever e reescrever a “História” a seu bel prazer e ao sabor dos seus interesses:


“A revolta seletiva contra o PT é o resultado de um adestramento vitorioso. Você, 'cidadão de bem', foi adestrado, domesticado, ensinado a repetir um discurso, e está fazendo isso direitinho”.


Hoje, o condicionamento que nos intentam impingir, é o de esquecermos de que o Pt está no poder a 14 anos, que os outros erraram antes e não foram punidos; portanto, o partido tem todo o direito de errar, sem essa “perseguição violenta” a que está sendo “injusta e preconceituosamente” submetido. A tentativa de vitimização do sistema, bem como a desqualificação e demonização dos contrários, é hoje reproduzida como antes pela direita, tão bem preparada e inspirada pela velha propaganda nazista de Joseph Goebbels “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.


Assim, vai-se alardeando as superlativas virtudes e minimizando as “pequeninas” mazelas de quem está no poder, materializando o que dizia Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros”. Crise? A culpa é da Rede Globo, da oposição, dos EUA, dos “tucodemos”, da “elite golpista”...


Proposital, deliberado e muito bem urdido o propósito de polarizar entre negros e brancos, pobres e ricos, “Petralhas e coxinhas... Induzindo a população a tomar partido e cair nesse estúpido maniqueísmo, engendrado simplesmente para tirar o foco da realidade. Nossa luta não é e não deve ser uns contra os outros, a questão não é e não deve ser partidária ou ideológica.


“Precisamos lutar, não pela absolvição de quem errou, mas pela manutenção desse ideal de progresso permanente dos mais pobres”.


“A História é cíclica”, e especialmente na América Latina, essa máxima parece se encaixar como uma luva. Como outros, o surto de regimes populistas, irresponsáveis e inconsequentes entra em decrepitude, acordando as populações da insustentável manipulação que levou suas economias à derrocada e suas falsas, momentâneas “conquistas” a ruírem como um castelo de cartas, tragado pelo movediço canto de sereia, miragem de um insepulto “socialismo”, bolivarianismo” ou qualquer outro ismo que se esvai como miragem que é. E mais uma vez, o Brasil, segue a reboque dos fatos. E enquanto a Argentina, Equador, Bolívia, até mesmo a Venezuela, desencadeiam sua libertação dessas utopias aventureiras, insistimos em ruminar o “sexo dos anjos” o duelo entre “demônios e anjos”, insanos sofismas que agravam problemas e retardam soluções.


São justamente os mais pobres que mais sofrem a desilusão, o apodrecimento de um sistema inepto e inapto, calcado em artifícios, no casuísmo dos interesses politiqueiros, na gastança desmedida, no improviso e na sanha de construir um projeto de poder a qualquer preço.


Por fim. Não importa se quem está no poder é o Pt, PSDB, PMDB, Rede, Dem, PQP ou um FDP qualquer. O Brasil tem que ser colocado acima deles. A sociedade precisa tomar as rédeas da política e não seguir se permitindo encabrestar por ela. Fora a todos os canalhas de todos os matizes ideológicos e fisiológicos. E se temos que começar por quem hoje está no poder, que assim seja! O resto é conversa fiada.


***


Particularmente só vejo três tipos de defensores do que aí está:


1. Os envolvidos. Aqueles que fazem parte do sistema.

2. Os beneficiados. Aqueles que recebem benesses do sistema: “movimentos sociais”, sindicatos, militantes...

3- Os devotos. Aqueles que incorporaram o discurso de tal forma, que deixaram de discernir entre o que é mito e o que é realidade.


Esse meu escrito se originou do seguinte poste que recebi no Whatsapp:


“A Rede Globo e o tucanato da polícia Federal estão dando um recado bem claro ao Brasil:

"Nesse país, pobre é pobre e rico é rico. Quem tentar mudar essa ordem natural das coisas é nosso inimigo."


Eu não duvido dos erros do PT. O que eu duvido é de um sistema que ignora os erros da elite e persegue violentamente os supostos erros de quem veio de baixo. Quem sobe deve ser punido. Quem sobe tem que voltar pra baixo. Essa é a lei desse país.


E digo mais: nossa classe-média-alta não vai conseguir o que quer. Já temos uma geração inteira de jovens pobres nas universidades e conscientes de onde vieram e onde chegaram, por conta dos programas de inclusão do PT. Esses jovens sabem que o tucanato, representante maior dos brancos de classe-média-alta-racistas-e-elitistas-do-Brasil, é contra um país plural e verdadeiramente miscigenado.


Precisamos lutar, não pela absolvição de quem errou, mas pela manutenção desse ideal de progresso permanente dos mais pobres.


Não se enganem. Se a luta política da Polícia Federal fosse por justiça, não haveria seletividade. Se a luta política da mídia fosse por justiça, você, tucodemo elitista, estaria falando mal do FHC e do Aécio na sua página. Transformar o Lula em Judas é o objetivo deles. E, sinceramente, seja o Lula culpado ou não, o problema do Brasil é o sistema político e a relação do Estado com as empresas. Isso afeta todos os políticos de todos os partidos.


A revolta seletiva contra o PT é o resultado de um adestramento vitorioso. Você, 'cidadão de bem', foi adestrado, domesticado, ensinado a repetir um discurso, e está fazendo isso direitinho.


Não se trata de defender ou proteger ninguém. Se trata de abrir os olhos para entender que vivemos numa engrenagem suja, que envolve mídia elitista, grandes empresas corruptas e partidos políticos reféns e partícipes de tudo.


Dar ao PT a sentença de culpa e responsabilidade por isso, que acontece no Brasil desde sempre, é um atestado de estupidez, cinismo e cretinice, ou simplesmente um atestado de que você é conivente com a corrupção apenas quando ela é feita por seus pares. Precisa falar francês e beber uísque e mandar a amante pra Espanha. Ai pode roubar. Se for pernambucano e beber cachaça, não pode. Tem que morrer, ser extinto, preso, execrado”.


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Comentários

  1. Meu amigo Antonio, por isso me abstenho de dar opiniões e/ou curtir essa loucura toda nas redes sociais, hoje mesmo postei sobre tudo o que já passamos, que é difícil escolher representantes para nos governar, pois o que todos querem é mesmo o que todos nós já sabemos e não é de hoje!
    Vamos torcer para que, haja mesmo uma mudança, mas não torço para a volta da Ditadura Militar, fui estudante da época e sei bem como foi!
    Abraços apertados!

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    Respostas
    1. Com certeza! Ninguém em sã consciência, pode desejar a volta da ditadura militar. Assim também, não podemos aceitar a "ditadura" da alienação e mediocridade que dizem amém a esse desgoverno caricato, falso, mentiroso e mais que incompetente. O Brasil é maior que tudo isso e vamos superar mais essa página nefasta da nossa História.

      Um abração.

      Excluir

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Antonio Pereira Apon.

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