A arte da vida. Apon HP


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quarta-feira, 27 de julho de 2016

“Terrorismo gastronômico”. “Bombas” de gengibre



... esquadrão antibomba, imprensa, fofoqueiros, desocupados... Ferveção nas redes sociais, desespero de familiares, siricuticos e chiliques aos borbotões...

Antonio Pereira Apon.


Explosão de bomba nuclear.

A Bahia, terra de todos os santos, orixás, guias e afins. Vez por outra, se notabiliza por fatos folclóricos, pitorescos, paranormais, surreais... E como dizia o governador Otávio mangabeira: “Pense num absurdo, na Bahia tem precedente”, ou ainda o poeta Gregório de Matos: “A Bahia é a Bahia”!


Pois bem. Passado o susto e não havendo mortos ou feridos graves, Tem horas que a vida real, parece disputar com a ficção a arte de fazer rir nesse “país da piada pronta”. Um cidadão reprovado trocentas vezes no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, inconformado e julgando-se injustiçado, perseguido, discriminado ou algo que o valha, resolveu se passar por “terrorista” (ou pelo menos, uma versão bem tupiniquim de um desses dementados). O sujeito exibiu um suposto colete com feixes de explosivos e mandou o povo correr para não morrer. Iria explodir-se com o prédio onde deveriam ser realizadas as provas da OAB naquele domingão soteropolitano. Foi bacharel pra tudo que é lado! Um sururu dos diabos, furdunço generalizado, auê; pisaduras, quedas, arranhões... Polícia, bombeiro, SAMU, esquadrão antibomba, imprensa, fofoqueiros, desocupados... Ferveção nas redes sociais, desespero de familiares, siricuticos e chiliques aos borbotões.


Após negociações e coisas tais, o malfadado “homem-bomba dos trópicos”, foi preso, interrogado e solto. As bombas? Nada além de balas de gengibre, dessas que respondem pela “alcunha” de puxa-puxa ou alferes. Acho que o cara queria era explodir a dor de garganta dos futuros advogados. Só pode!


Vai uma balinha de gengibre aí?


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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Amor ou posse?



Há quem confunda amor e posse, degenerando o sentir. Estúpido tributo, delírio da egolatria; violenta, insana e bestial.

Antonio Pereira Apon.
Amor.

Amor cativa. Posse, encarcera.

Amor cuida. Posse, ciúma.

Amor é laço. Posse, nó.

Amor é nós. Posse, eu.

Amor é melodia. Posse, dissonância.

Amor, plenitude do ser. Posse, mesquinhez do ter.

Amor alforria. Posse, escraviza.

Amor propõe. Posse, impõe.

Amor constrói. Posse, devasta.

O amor é altruísta. Posse, egocêntrica e egoísta.

Amor alegra. Posse, desgraça.

Amor é alvorada. Posse, crepúsculo.

O amor é virtude. Posse, vício.

Amor eleva. Posse, rebaixa.

Amor perfuma. Posse, espinha.

Amor é diálogo. Posse, monólogo.

Amor partilha. Posse, furta.

O amor é como a fé. Posse, tal qual o fanatismo.

Amor encanta. Posse, entorpece.

O amor enleva. Posse, deprime.

Amor pacifica. Posse, guerreia.

Amor é poesia e prosa. Posse, infame prosopopeia.

Amor é sóbrio. Posse, demente.

Amor cura. Posse, fere.

Amor acaricia. Posse, agride.

Amor abraça. Posse, esgana.

Amor é remédio. Posse, doença.

Amor é o começo. Posse, o fim.

Amor vivifica. Posse, mortifica...

Precisa desenhar?


Lápis riscando.

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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Girando qual pião



... gira o clima da estação. Giram os saberes, os fazeres, quereres e haveres; roleta em giração. Morte, sorte, transformação. Gira o tempo, os dados, as bolas do bilhar...

Antonio Pereira Apon.
Menino com pião - Cândido Portinari.


Gira a vida,

gira o mundo;

gira o rumo qual pião.

Gira o destino,

o idoso,

o menino...

Tudo gira.

Nada para!

Giram as engrenagens,

giram as rodas,

gira a paisagem...

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Quem te ama...



... Quando o verão se vai, a primavera finda, o outono transita pro inverno infindar... Vão-se os amigos de ocasião, os parentes de convenção, os bajuladores de ofício, os amores de artifício...


Lágrimas.

Quando o dinheiro falta,

a necessidade farta,

o sucesso finda,

a fama passa...

Quando a vicissitude bate à porta,

o sobrenome já não abre portas

e o nome as faz fechar...

Quando os títulos não mais contam,

o cargo perdeu a importância,

o ter, a relevância...

sábado, 9 de julho de 2016

Ladainha - II



Como dantes, rindo para não chorar, seguimos rogando piedade a Deus pelo Brasil e os brasileiros, ante tantos absurdos. Senhor, Piedade! Valha-nos Deus!


Mão de Deus tocando a do homem.

Pelo privilegiado foro,

por quem foge do Moro;

pela imunidade parlamentar,

pela impunidade pra lamentar.

Senhor, tende piedade de nós!


Pelo preço do feijão,

pela volta da inflação;

pela bazófia da jararaca,

pela autoridade que matraca.

Senhor, tende piedade de nós!


Pela corrupção endêmica,

pela reforma polêmica;

pela assistência parca,

pela propina farta.

Senhor, tende piedade de nós!


Pelo tríplex sem dono,

pelo sítio sem ônus;

pela escorcha tributária,

pela política arbitrária.

Senhor, tende piedade de nós!


Pelo limite na banda larga,

pela carestia amarga;

pelas desreguladas “agências reguladoras”,

pelas populações sofredoras.

Senhor, tende piedade de nós!


Pelo fiasco da copa,

pelo eleitor que os “negados” topa;

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sementes de gente



... transpiração consorciada com a inspiração, costuma ser extremamente eficaz e verdadeiramente efetiva na produção de “milagres” humanos. O ócio manieta, o vício entorpece, a preguiça esteriliza, a mediocridade aliena...


O semeador - Vincent Van Gogh.

Na bíblica “parábola do semeador”, o Mestre Jesus versa sobre sementes: As que caíram no caminho e foram comidas pelos pássaros; as que ficaram entre pedras e secaram com o sol; as sufocadas entre os espinhos e as que frutificaram em terra boa, produzindo 30, 60 e até mesmo 100 vezes mais do que tinha sido plantado...


Semear

Contextualizando a lição evangélica com o atual momento e a postura humana ante a vida, cabe as seguintes analogias:


Tal e qual as sementes perdidas pelo caminho, entre outros pouco ocupados, podemos incluir a tal “geração nem-nem” (nem trabalha nem estuda).