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sábado, 4 de março de 2017

Naturais lições



... Alimentando a fome da comodidade, bem nutrida morbidade; ração de veneno, que nos torna ao pó. Artifícios dessa louca pressa; apressando, apreçando o tempo, desapreçando a vida. Fruta em caixa, legume em lata, do bebê a papa; vidro que engarrafa o coco. Eta povo louco! Sai parindo lixo, vai tornando mixo, o sobreviver aqui. Natureza morta, insustentabilidade torta...


Antonio Pereira Apon.


Vanitas - Pieter Claesz.


Natureza a ensinar:

Tudo tem um tempo certo.

O homem incerto,

intenta da lição declinar.


Tem tempo de calor e de frio,

florir ou frutar;

abstinência e cio,

arribar ou ficar.


Tempo de enchente ou vazante,

chuva e estio;

cheia ou minguante,

fome ou fastio.


Plantar e colher,

viver e morrer;

tempo de chegar e de partir,

de vir, de ir.


Tempo de crepúsculo e de alvorada,

escassez e fartança,

quietude ou revoada,

falta ou bastança.


Colorir, descolorir,

folhar, desfolhar,

apagar e reluzir,

hibernar, despertar.


Tempo de mudar tudo!

De deixar como está;

germinar e brotar,

verdecer e maturar,

insistir ou desistir,

afrontar ou se entregar.

Assim a translação das estações, rotação dos dias,

fluxo, refluxo,

ciclos, reciclos.

Vida que ensina,

existir que se afirma,

homem que se nega a aceitar.


Sobrevive em casulos estéreis,

em suas florestas de concreto e asfalto;

zumbis débeis,

respirando, dos hidrocarbonetos o flato.

Ruminando:

Carcinogênicos conservantes,

acidulantes, espessantes, estabilizantes;

venenosos corantes.

Alimentando a fome da comodidade,

bem nutrida morbidade;

ração de veneno,

que nos torna ao pó.

Artifícios dessa louca pressa;

apressando,

apreçando o tempo,

desapreçando a vida.

Fruta em caixa, legume em lata,

do bebê a papa;

vidro que engarrafa o coco.

Eta povo louco!

Sai parindo lixo,

vai tornando mixo,

o sobreviver aqui.

Natureza morta,

insustentabilidade torta...


Tudo ao tempo e a hora,

sempre pronto para o uso;

o planeta padece do abuso,

vai dar pra desabusar?


Natureza a ensinar:

Tudo tem um tempo certo.

O homem incerto,

teima da lição declinar.


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2 comentários:

  1. UM POEMA MUITO FORTE, SOCIALMENTE, E MUITO LÚCIDO!

    O homem está louco e o mundo também, logicamente, porque um influencia o outro. ADOREI!

    Beijinho, menino!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Loucura suicida que está matando a natureza, o planeta que nos sustenta e abriga. Retrocesso travestido de progresso, e como canta Caetano Veloso: "... força da grana que ergue e destroi coisas belas, da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas..."

      Um abraço.

      Excluir

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Antonio Pereira Apon.