A arte da vida. Apon HP


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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Quem, qual a sua Nêmesis?



... surreal realidade, onde, muitas vezes, induzidos pela irreflexão, ignorância, acomodação mental ou mera falta de noção, saímos elegendo nossas “Nêmesis”, inimigos de estimação, contra os quais tornamos imperioso combater, vencer, punir, vingar. Afinal, “o inferno são os outros”...


Antonio Pereira Apon.



Nêmesis, pintura de Georghe Tattarescu.


Na mitologia grega, Nêmesis era uma deusa da segunda geração, filha da deusa Nix. Sendo inclusive, citada como filha de Zeus com a deusa Têmis. Apesar de nascida entre os deuses trevosos, vivia no monte Olimpo, corporificando a vingança divina. Com o passar do tempo, a palavra passou a designar algo ou alguém que merece, reclama exemplar retaliação: Inimigo odioso, adversário terrível, opositor desprezível...


Incumbida de punir o descomedimento, combater o excesso de felicidade, vaidade, soberba, orgulho dos reis. Nêmesis, exemplifica seu caráter, castigando Creso, rei da Lídia. Homem muito feliz com suas riquezas e com seu poder, foi levado à guerra contra Ciro, rei da Pérsia. Sendo derrotado, arruinado e por demais infelicitado. Já Narciso, superlativamente alegre, vaidoso de sua beleza singular, se achava, desprezando o amor de incontáveis ninfas. Para vingá-las, Nêmesis provocou demasiado calor, fazendo o moço se debruçar sobre um lago de águas cristalinas para matar a súbita sede. Onde, contemplando seu belo rosto, tomou-se de amores pela própria imagem. Incapaz de alcançar o objeto daquela arrebatadora paixão, definhou até morrer, transmutando-se em flor. O narciso.


“Teletransportando-nos” da mitológica Grécia para a ficção do século XXIV, estamos em “Nêmesis”, episódio de “Star Trek: Voyager”, que me inspirou a escrever essa nossa prosa.

domingo, 25 de junho de 2017

Mãos



... Criminosas, virtuosas; mãos amadas, desalmadas mãos. Mãos armadas, mãos floridas; libertas, mãos detidas. Contidas, incontidas mãos; mãos criativas, incapazes mãos. Mãos honestas, mãos vendidas; mãos modestas, mãos corrompidas. Humildes, mãos vaidosas; comportadas, inadequadas mãos. Mãos benévolas, mãos perversas; reversas, adversas mãos...


Antonio Pereira Apon.



Desenho, maos - Drawing-hands, litografia de M. C. Escher.


Mãos rústicas, mãos delicadas.

Mãos modernas, mãos antigas; tecnológicas, artesanais mãos.

Contundentes, balsamizantes; pesadas, leves mãos.

Duras, macias; amargas, doces mãos.

Mãos que dão, que se dão; que acolhem, que se recolhem.

Mãos breves, duradouras; mãos que ficam e que se vão.

Mãos anônimas, mãos famosas; egoístas, mãos dadivosas.

Mãos tementes, mãos dementes; celestes, infernais mãos.

Mãos plurais, mãos singulares; promíscuas, salutares mãos.

Mãos curativas, mãos venenosas; socorristas, traficantes mãos.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

As escolhas de Midas. E as nossas?



Saber escolher é fundamental, faz toda diferença. Escolher bem o que falar, oque calar e o que ouvir. A escolha do que fazer, do com o que, do com quem...


Antonio Pereira Apon.



Apolo vencedor de Pã, pintura de Juan Bautista Martínez Del Mazo.


A vida é feita de escolhas: Certas ou incertas, felizes ou infelizes… E temos que arcar com ônus e bônus do nosso escolher, ou não. Midas, lendário rei da Frígia, afamou-se por duas infelizes escolhas. Vejamos:


Conta a mitologia grega, que Dionísio (Baco, para os romanos), Deus do vinho, dos ciclos vitais, das festas, da insânia, da inspiração, do delírio religioso/místico... Passeava pelos domínios de Midas, quando o sátiro Sileno, seu mestre e pai de criação desapareceu. Tendo “tomado todas” e mais algumas. “Trêbado”, o velho perdeu o caminho, sendo encontrado por camponeses e levado ao rei. Reconhecido por Midas, o ancião foi acolhido e muito bem tratado, sendo entregue alguns dias depois, são e salvo ao seu divino discípulo. Extremamente agradecido, Dionísio permitiu que Midas escolhesse uma recompensa. Fosse o que fosse, seu desejo seria atendido. E, apesar de já viver em plena abastança no seu rico castelo, junto com sua filha adorada. Midas queria sempre mais e muito mais. Assim, ele pediu o dom de transformar em ouro, tudo o que tocasse. Mesmo já adivinhando o infortúnio que adviria, Dionísio atendeu ao insensato pedido e Midas seguiu caminho, festejando seu poder: Fez um pequeno galho de carvalho transformar-se em ouro, uma pedra, um punhado de terra, uma maçã… Chegou em casa eufórico, transbordante de alegria, mandando servir um lauto banquete. Foi quando, estarrecido, constatou que nada conseguia comer ou beber: O pão, o vinho... Até sua filha num simples toque fez-se em ouro. Aflito com a verdadeira maldição em que se tornara sua infeliz escolha, suplicou a Dionísio que o salvasse daquele desastroso desiderato. Compassivo e benévolo o Deus mandou o infeliz lavar tudo o que tocou nas águas do rio Pactolo e tudo voltou ao normal, inclusive sua filha, a qual pôde abraçar sem risco de transmutá-la em ouro.


Depois dessa, será que Midas aprendeu a escolher melhor? Será? Que nada...

domingo, 18 de junho de 2017

Cabeças



... Cabeças que valem, que cabem; cabeças que é melhor esquecer. Preconceituosas, racistas, orgulhosas; cabeças a desvaler. Cabeças que subtraem, cabeças que somam; dividem, multiplicantes cabeças. Otimistas, pessimistas; realísticas cabeças...


Antonio Pereira Apon.



Galateia das esferas, pintura de Salvador Dalí.


Cabeças pensantes, cabeças errantes.

Falantes, silentes; conscientes, inconscientes cabeças.

Cabeças altivas, cabeças bovinas.

Cabeças sujeito, objeto; determinadas, indeterminadas, ruminantes cabeças.

Cabeças que se fazem, cabeças que se deixam fazer.

Agudas, obtusas; moles, duras cabeças.

Cabeças poéticas, proféticas; fanáticas, patéticas cabeças.

Cabeças equilibradas, obnubiladas; Cabeças que se acham, que vivem a se perder.

Cabeças viventes, sobreviventes; plenas, cabeças indigentes.

Cabeças minúsculas, cabeças maiúsculas; dementes, cabeças de gente.

De homem, de mulher; a cabeça que houver.

Religiosas, laicas; Ateias, agnósticas cabeças.

Grandes cabeças, cabeças tacanhas; cosmopolitas, provincianas cabeças.

Ociosas, operantes; inoperantes, cabeças desimportantes.

Cabeças ricas, pobres; preciosas, depreciativas cabeças.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Pernas



... Pernas étnicas, éticas, estéticas. Conscientes ou patéticas; pernas imorais, amorais e moralistas pernas. Pernas masculinas, femininas; indefinidas pernas. Perna do antropofágico Abaporu, pernas da poesia...


Antonio Pereira Apon.



Abaporu, pintura de Tarsila do Amaral.


Pernas abertas, pernas bem fechadas; devassas, recatadas pernas.

Pernocas, pernaltas; pernas peraltas.

Pernas cúmplices, pernas súplices.

Pernas lentas, pernas apressadas; apreçadas pernas.

Pernas, ligeiras, fagueiras, faceiras.

Pernas comportadas e irrequietas pernas.

Pernas pro ar, pernas ao léu; passivas, ativas pernas.

Pernas devotas; envoltas, desenvoltas.

Pernas roliças, magricelas; frágeis, fortes pernas.

Pernas que passam, pernas que ficam; firmes, vacilantes, ébrias, tropicantes pernas.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Voto de Minerva ou de me enerva?



... graça uma versão tupiniquim do mito: O voto de me enerva. Longe de solucionar dilemas de forma sábia, honesta, ética… Exalta a conveniência, o “jeitinho”, interesses quase sempre inconfessáveis, atentando contra a realidade, a verdade e a justa justiça. Acordando a sensação de que o crime até pode compensar...


Antonio Pereira Apon.



A nave dos loucos, pintura de Hieronymus Bosch.


Trata-se do mito grego, no qual, a deusa Palas Atena, equivalente à romana Minerva, preside o julgamento do mortal Orestes. Sendo Minerva a deusa da sabedoria, o voto de Minerva refere uma escolha sábia, certa, justa, coerente...


Segundo Ésquilo, tudo começou quando Agamenon ofereceu sua filha em sacrifício aos deuses, no intuito de vencer a lendária Guerra de Troia. Furiosa com a morte da filha, e influenciada pelo amante Egisto, sua esposa Clitemnestra, o assassinou. Como vingança pelo homicídio do pai, Orestes matou a própria mãe e o citado amante.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Acróstico junino



Versando essa supra religiosa festança a três santos católicos, herança europeia, releitura nordestina, mania nacional. Anarriê! Xaxado, forró, baião e o que vier. Viva Santo Antônio! Salve São João! Valha-nos São Pedro!


Antonio Pereira Apon.



Barco com Bandeirinhas e Pássaros, de Alfredo Volpi - 1955.


Fogos, festa e fogueira,

estética do festejar,

saracotear e levantar poeira;

triângulo, sanfona e zabumba,

arraiá, quadrilha abunda,

sanfônico celebrar.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Enamorados namorados



... A taça e o vinho, linha e linho, quem caminha e o caminho. Eu, você; você e eu, queijo, goiabada, Zéfiro e alvorada, Julieta e Romeu...


Antonio Pereira Apon.



Romeu e Julieta, pintura de Ford Madox Brown.


Um abraço,
um laço, enlaço,
entrelaço de corações.
Namorados enamorados:
O barco e o cais,
côncavo e convexo,
amplexo,
gosto de quero mais.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Meu defeito de estimação



... “irreparáveis”, possuem grande vocação, enorme “clarividência” para perceber defeitos alheios. Contudo, parecem alheias aos próprios. Não hesitam em sacar o dedo indicador, para apontar as culpas, os erros dos outros. Mas, parecem ignorar os três dedinhos que se voltam para as...


Antonio Pereira Apon.



Caixa de ferramentas.


Quando um objeto, um Equipamento apresenta um defeito, procuramos consertá-lo. Se não tem jeito ou não compensa repará-lo, providenciamos substituí-lo. Mas, pessoas nem sempre podem ser substituídas. Bem diferente das coisas, gente tem livre arbítrio, vontade. Precisa querer se consertar. Se não quiser, não tem psicólogo, psiquiatra, exorcista, pai de santo... Que resolva. Nem “Jesus na causa”!

domingo, 4 de junho de 2017

Meio ambiente, ávida vida



05 de junho, dia mundial do meio ambiente... Conter os flatos que esquentam o mundo, CFC, hidrocarbonetos… Mefistofélicos sonetos, antipoesia, desprogresso imundo. A água farta a faltar, isquêmicas nascentes, mares, lagos, rios… Poluídos, destruídos; inconsequência a nos sentenciar. E o buraco na camada de ozônio? ...


Antonio Pereira Apon.



Alegoria da primavera, pintura de Sandro Botticelli.


Mãe Terra,

sonho azul no infinito atemporal,

casa, abrigo, nosso lar;

nosso barco para a vida navegar.

A bordo,

de borda a borda a bordar,

bordado novo, sem igual.

Um novo tempo de paz,

plantas, homens, outros animais.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Mangue, bordel, Brasil



... Das bananas aos bananas, indigência treinada, adestrada a gritar gol, requebrar e dizer amém. Pagar caro, posar de otário, não ser alguém. Ser mais um ninguém, atrás de um mitômano “salvador”...


Antonio Pereira Apon.



Mangue, aquarela de Di Cavalcanti.


Cale-se o cálice!

Tinto sangue,

retinto vinho;

da vinha, do que vinha,

da via do que não virá.

Bordel.

Velho mangue, caranguejo novo;

o lodo,

a lama,

o povo.

O novo?!

Velha,

requentada sina a se ruminar.