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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Pernas





... Pernas étnicas, éticas, estéticas. Conscientes ou patéticas; pernas imorais, amorais e moralistas pernas. Pernas masculinas, femininas; indefinidas pernas. Perna do antropofágico Abaporu, pernas da poesia...


Antonio Pereira Apon.



Abaporu, pintura de Tarsila do Amaral.


Pernas abertas, pernas bem fechadas; devassas, recatadas pernas.

Pernocas, pernaltas; pernas peraltas.

Pernas cúmplices, pernas súplices.

Pernas lentas, pernas apressadas; apreçadas pernas.

Pernas, ligeiras, fagueiras, faceiras.

Pernas comportadas e irrequietas pernas.

Pernas pro ar, pernas ao léu; passivas, ativas pernas.

Pernas devotas; envoltas, desenvoltas.

Pernas roliças, magricelas; frágeis, fortes pernas.

Pernas que passam, pernas que ficam; firmes, vacilantes, ébrias, tropicantes pernas.

Pernas étnicas, éticas, estéticas.

Conscientes ou patéticas; pernas imorais, amorais e moralistas pernas.

Pernas masculinas, femininas; indefinidas pernas.

Perna do antropofágico Abaporu, pernas da poesia de Drummond.

Pernas filosóficas e pagodeiras; elevadas, rasteiras pernas.

Pernas nobres, pernas pobres; que desfilam, que correm.

Pernas que fogem, que socorrem; se achegam, escapolem.

Pernas corruptas e honestas; bestiais, celestiais pernas.

Pernas únicas, pernas múltiplas; úteis, inúteis, multifuncionais.

Pernas certas e incertas; tortas, retas, soltas, entrelaçadas pernas.

Pernas eróticas e frígidas; verdadeiras, fingidas, insossas, pernas sensuais.

Experientes, inexperientes; ingênuas, maliciosas pernas.

Pernas sádicas e angélicas; perdidas, salvadoras pernas.

Pernas virtuais, presenciais; reais, oníricas, ideais, idealizadas pernas.

Pernas altruístas, pernas políticas; dignas, indignas pernas.

Pernas...

Pernas, pernas e mais pernas.

Hummm!!!

Haja perna!


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8 comentários:

  1. "Haja perna!" Haja capacidade de as colocar aqui bem assim, em versos, por sinal muito bem colocadas!
    Amo poder ter pernas, pernas boas para andar, para me locomover, sem dores, para correr, caminhar pelas praias sossegadamente com a mente tão livre quanto!
    Parabéns, amo quando escreves assim, nos dá a noção do quanto o vocabulário é rico em sua mente criativa e sensível!
    Abraços amigo poeta!

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    1. Simples pernas de tão complexas, vastas, importantes possibilidades. Obrigado.

      Um abraço e bom feriadão.

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  2. Antonio, meu caro amigo, é preciso muita capacidade, engenhosidade, imaginação, criatividade... Enfim, é preciso ser muito inteligente, brilhante, perspicaz, para falar tanto, com tão boa conceituação e profundidade sobre algo tão comum quanto as pernas. Soubeste bem escolher na tela da Tarsila do Amaral a ilustração do teu poema.
    Venho aqui também para agradecer por toda a atenção no meu espaço, votos formulados e todo o incentivo deixado em comentários tão sensíveis.
    Infelizmente estou dando uma pausa por lá. Muito a contragosto, pois gosto muito desta interação via comentários que a blogosfera nos proporciona.
    Quero desejar que a tua vida seja preenchida com tudo aquilo que o teu olhar busca no horizonte, que o teu coração abriga como projeto, e que a tua alma busca dentro dos sonhos...
    Sejas feliz, meu querido!
    Helena

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    Respostas
    1. A simplicidade não é nada simples, cabe um infinito no infinito da palavra. Não mereço tantos elogios, mas, ainda assim, obrigado.

      Que bom estás se recuperando bem de mais essa adversidade, esses contratempos fazem parte da nossa caminhada evolutiva, tudo passa e superando o que passamos, vamos fortalecendo a alma. Devagar quando preciso, pouco a pouco vamos longe.

      Retribuo multiplicados os votos de felicidade. Tudo de bom para ti. Plena recuperação e plenas venturas.

      Um abraço e um bom feriadão.

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  3. Olá, António.
    Magnífico!
    Com tanta perna, direi: "Pernas, para que vos quero?" :)))
    Admiro, e não só deste post, a sua capacidade para jogar com as palavras e compor texto extraordinários.
    Parabéns.

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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    1. Os elogios estão de "pernas soltas", vocês estão sendo exageradamente indulgentes. Assim me deixam mal acostumado e convencido. Rs rs rs...

      Obrigado.

      Um abraço.

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  4. Olá, Apon, como vai? Muito criativo seu poema... muitas vezes subestimamos o nosso próprio corpo, e há tanta importância em cada parte dele! Interessante classificar pernas também de acordo com a personalidade das pessoas, rsrsrss!
    Abraços!

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    Respostas
    1. Encontrar a poesia que existe em tudo e todos, sem subestimar nada nem ninguém, pode nos surpreender.

      Um abraço e boa semana.

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Antonio Pereira Apon.