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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Míngua a língua, jaz sem jaez





... Não interpretar o que lê, distonia dramática; desentender qualquer porque, alienação idiomática. Sem gramática e leitura, vai definhando a cultura; se achando, só se perde, ruminando sua impostura. Invencionices mal paridas...


Antonio Pereira Apon.


São Jerônimo que escreve, pintura de Caravaggio.


À míngua a língua jaz,

derradeira flor do lácio,

epitáfio sem jaez.


Sem Pessoa nem Rosa,

sem Drummond ou Camões;

parca poesia e pouca prosa,

abundância dos senões.


Sem seus portugais,

seus Brasilis…

Nada há mais!

O S devorado em seus plurais,

o R inventado;

tão demais…


O gerúndio infinitivo,

o relativo internetês.

É a rima precária,

a musiqueta ordinária,

o modismo da vez.

A gíria mal dita,

maldizente “neoportuguês”.

O popular popularesco,

inculto tão burlesco;

inverso do verso,

reverso talvez.


O desvalor celebrizado,

desqualificar do saber;

o ser, martirizado,

glamorizar do parecer.


Não interpretar o que lê,

distonia dramática;

desentender qualquer porque,

alienação idiomática.


Sem gramática e leitura,

vai definhando a cultura;

se achando, só se perde,

ruminando sua impostura.


Invencionices mal paridas,

efeito manada;

sandices bem urdidas,

ignorância formatada.


Descartável escrita,

semântica proscrita;

verbo sem verve,

prescrita alienação.


“Politicamente correto”,

eufemismo sem noção;

delírio do incorreto,

paradoxo, desrazão.


À míngua a língua jaz,

derradeira flor do lácio,

epitáfio sem jaez.




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25 comentários:

  1. Realmente, Antonio, o nosso meio de comunicação, a palavra escrita, falada e entendida está falida. Um importante emblema da nossa nação - a linguagem - encontra-se totalmente desprezada.
    Abraço.

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    1. Nossa língua mal falada, pessimamente escrita e absolutamente desentendida, é o reflexo do lixo cultural tão celebrizado pela grande mídia, em detrimento do que tem real valor. Triste Brasil!

      Um abraço.

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  2. É verdade, Tonico! A Língua, cada vez mais, está sendo adulterada e mutilada. Poucos são aqueles que a escrevem e falam, satisfatoriamente.

    Teu poema, muito bem elaborado e crítico, se refere, especificamente ao Português do Brasil ou ao Brasilês, não sei, todavia, creio que em todas as Línguas há sérias deficiências.

    Olha, S. Jerónimo não teve problemas desses, porque julgo que escreveria com pompa e circunstância, ou seja, muito corretamente.

    Dias felizes e aquele abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Infelizmente, por aqui, impera o desrespeito, a falta de seriedade e a vulgaridade, inclusive com a língua portuguesa. E nem ouso em falar no uso correto da norma culta ou qualquer erudição, trato do uso básico, elementar. Por cá, só dão valor ao desvalor: político espertalhão, musiqueta ruim, folhetim hordinário...

      Assim vamos desconstruindo um país tão bem explicitado nessa música:

      https://www.youtube.com/watch?v=E-2gEnJ9nkk

      Vale até reproduzir a letra:

      1985 - BEM BRASIL

      Autores: Claus Eric Petersen/Marcelo Galbetti/Mário Manga/Osvaldo Luiz/Wandi Doratiotto



      “ … E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem. Mas o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. ..”
      [Pero Vaz de Caminha (1450/1500)]


      Há 500 anos sobre a terra
      Vivendo com o nome de Brasil
      Terra muito larga e muito extensa
      Com a forma aproximada de um funil

      Aquarela feita de água benta
      Onde o preto e o branco vem mamar
      O amarelo almoça até polenta
      E um resto de vermelho a desbotar

      Sofá onde todo mundo senta
      Onde a gente sempre põe mais um
      Oh! berço esplendido agüenta
      Toda essa galera em jejum

      Apesar de Deus ser brasileiro
      Outros deuses aqui tem lugar
      Thor, Exu, Tupã, Alá, Oxossi
      Ieus, Roberto, Buda e Oxalá

      Aqui não tem terremoto
      Aqui não tem revolução
      É um país abençoado
      Onde todo mundo põe a mão

      Brasil, potência de neutrons
      35 watts de explosão
      Ilha de paz e prosperidade
      Num mundo conturbado
      E sem razão

      A mulher mais linda do planeta
      Já disse o poeta altaneiro
      Que o seu rebolado é poesia
      Salve o povão brasileiro

      Mais do que um piano é um cavaquinho
      Mais do que um bailinho é o carnaval
      Mais do que um país é um continente
      Mais que um continente é um quintal

      Aqui não tem terremoto
      Aqui não tem revolução
      É um país abençoado
      Onde todo mundo mete a mão

      Brasil, potência de neutrons
      35 watts de explosão
      Ilha de paz e prosperidade
      Num mundo conturbado e sem razão


      1985 - PREMEDITANDO O BREQUE
      Participação Especial: CAETANO VELOSO
      Álbum “O melhor dos iguais” [Premeditando o Breque].


      É isso aí minha amiga.

      Um abraço.

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    2. Sem esquecer que a ilustração foi posta como uma alegoria. Certamente, São Jerônimo não abusaria de qualquer língua como nessa terra da bandalha.

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    3. A carta de Pêro Vaz de Caminha a D. Manuel I é bem explícita, "salvar esta gente", contudo o que tem acontecido é bem o contrário, não por culpa do rei português, decerto, porque esse já morreu no século XVI, mas por culpa dos políticos desavergonhados do Brasil. E Lula está no topo da pirâmide. É quase impossível nos darmos bem com Deus e com o diabo, mas parece que por aí, assim sucede. Acolher e saber receber é qualidade, mas tanto fingimento e simpatia exacerbada desse povão, são atitudes nitidamente falsas, daí os assassinatos, roubos de toda a espécie, a naturais e a estrangeiros, a vadiagem e a barbárie, sempre vestida de ternurinha e docurinha. Aí, quase todo o mundo tem diminutivo no nome, ou se chama Luisinho ou Luisão, Sandrinha, Glorinha, para além dos aumentativos, que vocês criaram, como abração, povão, beijão, etc. Eu até posso entender que tal queira demonstrar o tamanho do apreço ou até uma certa ironia pela pessoa ou a ternura quando se usa um diminutivo, mas em Portugal, os diminutivos só se usam, qdo as pessoas são crianças e os aumentativos, muito raramente.

      Quando comecei a escutar o vídeo, me parecia música religiosa, só que depois, é só sambar. As imagens que vão passando ilustram bem o caráter de Lula e de muita gente daí. Desculpa, sei que és brasileiro dos sete costados, mas tenho de te dizer o que sinto.

      Sabes, António, aí e em muitos países é necessário mudar mentalidades, hábitos, costumes e isso leva séculos e séculos a se fazer.

      Tudo de bom!

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    4. Concordo em grande parte contigo, mas, não se deve generalizar. Existe um Brasil bom e do bem, um país com tudo para dar certo. É nesse Brasil que eu sou brasileiro.

      Contudo, há um outro brasilzinho escatológico, dominado por politiqueiros subterrâneos como Lula, Temer e uma diversa matilha de embusteiros, que exploram a alienação, a desvergonha, o apreço pelo lixo, o gosto rasteiro, a leviandade fútil, o complexo de hienas, o pouco caráter, a promiscuidade, a passividade, a desonestidade de um povo que persegue conveniências e se embriaga de ilusões, vendendo-se feito prostituta do mais baixo meretrício, a qualquer um que acene com alguma mínima "vantagem".

      Culpar os colonizadores é tolice, são brasileiros que estiveram, estão ou querem voltar a desgraçar a nação. Porém, o ilustre Sr. Caminha, deu o primeiro exemplo de nepotismo nessas terras, na famosa carta a D. Manoel, ele foi logo pedindo emprego para o genro. Rs rs rs...

      Ainda bem que eu reduzi o meu abração à um trivial e comum abraço. Nada de abracinho também. Entendi a direta indireta. Rs rs rs...

      Um abraço.

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    5. Sim, eu sei que não devemos generalizar, mas há uma percentagem significativa de brasileiros, que são ruins e ainda por cima, fingidos e falsos. Em Portugal, também os há, mas nós não somos tão "doces".

      Ok. Tu és, e disso tenho certeza, um cidadão, que tenta sempre se aperfeiçoar a cada dia.

      Quanto a culpar os colonizadores é mais que tolice, é ignorância, porque quando aí aportámos, as criaturas que aí se encontravam, não quiseram comer nem beber daquilo que lhe demos. Provaram água e jogaram fora. Tiveram medo de galinha, mas quando viram um rosário de pedras brancas, indicaram com o dedo e o colocaram logo ao pescoço e depois no braço (génese do carnaval -rs). Nus, eles e elas, e com a maior das naturalidade, que até "espantou" os portugueses. Hoje, é mais ou menos, desse jeito (rs), homem quase sempre de calção e chinelos, mesmo quando não vai para a praia e mulher bem desnudada, independentemente do peso, que tenha, todavia na praia coloca sempre soutien nas maminhas, que são muito pequenas em relação às ancas, coxas e bumbum (rabo). Mulher pera, é o tipo! Cabelo bem, bem comprido, aliança no dedo, se for casada e sorriso de orelha a orelha.

      Pêro Vaz de Caminha não pediu emprego para seu genro a D. Manuel I, portanto nada de nepotismo, mas, o que, de facto, se passou é que seu genro, marido de sua filha Isabel, estava preso em São Tomé, acusado de roubo e agressão (a ser verdade, a "coisa" começou cedo). Caminha pediu ao rei português que o libertasse da prisão, apenas isso. Podes conferir o que acabo de escrever no último parágrafo da carta.

      Em relação às diretas indiretas, gostei e me ri com teu jogo de palavras e intenções.

      Abração faz parte de teu léxico, de há muitos anos. Agora, até vou estranhar (rs)!

      Beijinho e abracinho (ah, eu usando diminutivos! Então, "minina" não diz a bota ca perdigota, como se diz por cá).

      Bom final de semana.

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    6. Estou cá a me acabar de rir... Tens razão, inclusive sobre o pedido do escrivão Caminha. Mas, não seja chata. Os corruptos precisam de um "bode expiatório", alguém para terceirizar as culpas... Rs rs rs...

      Um abraço, nem grande, nem pequeno; um abraço na devida medida e um fim de semana bom.

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    7. Acidentalmente, apaguei este seu comentário:

      "
      O que é isso de BRT? Já tenho visto essas letras maiúsculas em teu blog, creio que nas respostas, e ando pra te perguntar isso faz tempo. Ora, por favor, me explica!

      Claro que tenho razão, embora goste de generalizar, apelidar e fazer juízos de valor, à priori. Vês como eu me conheço!

      Precisam, eu sei, mas Pêro Vaz de Caminha não pediu emprego para o genro, mas sim que o libertassem da prisão, como já reconheceste. Agora, o motivo da prisão, isso é outra história. Olha que se tivesse um genro ou uma nora, e se ele/a estivessem presos por danos a terceiros, JAMAIS pediria por eles a ninguém, mesmo que meu filho ou minha filha chorassem de noite e de dia. Lhes dizia logo: quanto mais vocês chorarem, menos vocês m.j.., ou seja, menos urinam, como se diz em Portugal.

      Ah, eu sou chata? Você não gosta nem um tiquinho (diminutivo à brasileira) de mim, isso é que é, mas olha eu também te acho chato, esquisito na comida e na dormida, quando faz calor e não sou eu que durmo contigo (aliás, eu não durmo com ninguém. Gosto de espaço e tempo), imagina se fosse!

      Pronto, não mando abraço médio, porque não sei o que isso é (rs). Mando beijinho soprado com minha mão (rsrs).

      Bom fim de semana.

      Não se esqueça (ora, vamos lá puxar dos galões-rs) que eu sou a "luz" do seu blog, "viu"? Ele perde muita vida e graça sem mim. Ora, diga que não, diga!"

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    8. Agora sim, a resposta:

      Esse BRT, em outra postagem está como BRST. Isso é coisa do Blogger, é um link para a mesma postagem, incluindo no endereço um código relativo ao comentário.

      No mais, resumo a resposta num ditado que diz:

      "Pretensão, água benta e caldo de galinha não fazem mal a ninguém". Rs rs rs...

      Sua "chatice" é de fato indispensável.

      Um abraço e uma boa semana.

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    9. Que coisa estranha, essa do Blogger! Eu sou leiga nessas coisas de blogs, net, twitter, Face etc. e portanto, um encanto (rs).

      Ah, reconheceu! Todo o mundo (que exagero!) reconhece, só faltaria você não querer dar o bracinho a torcer. Você gosta dessa "chatice" e eu também.

      Até já! Vou ler como mereces teu novo post e depois te convido pra jantar. Aceitas? Olha, que não é à média luz, vou já avisando (rsrsrs).

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    10. Custou, mas foi!
      Consegui convidar esse homem de "pedra" para jantar comigo (rsrsrsrsrs) e ele aceitou.
      Depois, eu conto pra vocês o que aconteceu durante o jantar, ou seja, ele quase não comeu nada, porque é um esquisitão. Ah, mas vinha mega bem vestido, ah, isso vinha, se mostrou muito gentil, me chamou de bobinha, mas foi um termo carinhoso, eu sei, e tivemos uma conversa bem interessante.
      Ah, outra coisa, quando chegou, ele me beijou a mão (vejam só!) e depois eu é que o puxei delicadamente pra mim, dando-lhe dois beijinhos nas faces, os quais ele retribuiu.

      Beijinhos para o meu convidado e pra vocês, leitores e comentaristas, também.

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    11. Isso sim, é viajar na imaginação. Rs rs rs... Faltou citar que fui no meu jatinho particular, pilotado pelo Tom Cruise, tendo como co-piloto o John Travolta e cheguei numa limusine dirigida pelo Bruce Willis... Rs rs rs...

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  3. Oi, eu, de novo!

    Quando te for possível e se pretenderes, visita esse blog: Eu sabia, e tu sabias? Eu já o comento há algum tempo.
    Nosso colega de profissão, bem humorado e muito gentil.

    Abraço, menino!

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    Respostas
    1. Já visitei, gostei e comentei.

      Obrigado pela dica.

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    2. Obrigada, aliás, eu já tinha indicado pra ti o blog do Pedro, em maio, e tu comentaste um dos posts dele nesse mesmo mês. Só descobri isso ontem a propósito da resposta dele pra ti, te agradecendo tua visita, de novo. Fiquei baralhada, confesso. Tu podias me ter dito, aquando da minha indicação, agora, que já conhecias o blog dele, mas provavelmente não associaste o título do blog ao nome dele ou por outro motivo qualquer.

      Eu é que te agradeço!

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    3. Pensei que lhe tinha comunicado da outra vez. Dessa, não associei mesmo, para mim era outro blog, outra pessoa. De qualquer forma, uma boa indicação.

      Um abraço.

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    4. Que eu me lembre, não, mas isso não tem importância nenhuma, agora. O blog do Pedro Aurélio é muito interessante, denso e fundamentado e só não tem mais comentários, porque o tema predominante é a religião, e além disso, ele não é pessoa de andar chamando esse e mais aquele. Quem chegar lá, será, decerto bem recebido.

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  4. Oi, Apon, a língua portuguesa de fato não é fácil ser compreendida devido a inúmeras regras, e ainda ajuda no contexto desolador a falta de estímulo ao hábito de leitura e a cultura do palavreado chulo... complicado. Abraços!

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    Respostas
    1. Creio que, infelizmente, a coisa é muito pior do que podemos imaginar. O país sofre de profunda falta de identidade, caráter e consciência de nação. Triste...

      Um abraço.

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  5. Oi Antonio!
    Maravilhosa poesia!A questão da língua é uma tragédia, no meu ponto de vista! Falamos português, e em cada região a língua tem suas peculiaridades, porém esse "modismo" de escrever e falar errado é mais uma...nem sei que palavra usar! É de doer, caro amigo Poeta!
    Beijo carinhoso!

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    Respostas
    1. "Uma tragédia" que gera outras tantas tragédias. Mas, como seriedade não combina com nossas "autoridades", no lugar de soluções, vai-se dando jeitinhos, empurrando com a barriga, fazendo de conta...

      Um abraço e um bom fim de semana.

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Antonio Pereira Apon.