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terça-feira, 31 de outubro de 2017

A “morte” do sono e o “sono” da morte





... Todos os dias, experienciamos a “morte” transitória do sono, até aquele dia em que iremos transitar pelo “sono” experiencial da morte...


Antonio Pereira Apon.


Hipnos e Tânato, pintura de John William Waterhouse.


Há quem diga que dormir é morrer e os que acreditam ser a morte, o sono eterno. Na “morte” do sono, o espírito afasta-se momentaneamente do corpo. No “sono” da morte, a o rompimento definitivo dos laços entre um e outro.


Conforme nos conta a mitologia:


Hipnos, filho de Nix (a noite) e Erubus (a escuridão). Era o deus grego do sono e da sonolência, sendo seu equivalente romano Somnus. Irmão gêmeo de Tânato, o deus da morte. Cabia a Hipnos o descanso reparador de todas as criaturas terrenas, já seu irmão, espreitava os viventes...


Segundo Ovídio:


Hipnos contraiu matrimônio com uma das Graças ou Cárites, Pasítea, gerando os Oniros, destacando-se entre estes, os três responsáveis por distribuírem os sonhos a quem dormia e uma filha, que fazia a distribuição entre os despertos:


Assim. Morpheus, considerado o chefe dos oniros, era o criador dos sonhos; Ícelus, criador dos pesadelos; Phantasos, criador dos objetos inanimados, monstros, quimeras visíveis nos sonhos e que ficam retidas na memória, enquanto à Phantasia, sua irmã gêmea, cabia a criação dos delírios, devaneios.


Conta-nos o mito:


Hipnos vivia num palácio construído dentro de uma grande caverna no oeste distante, onde o sol nunca alcançava, para que nenhum galo cantasse e acordasse o mundo, nem gansos ou cães, vivendo ele sempre em tranquilidade, em paz e em silêncio.

Do outro lado deste lugar peculiar passava Lete, o rio do esquecimento, e nas margens, cresciam plantas que junto ao murmúrio das águas límpidas do rio ajudavam os homens a dormir. No meio do palácio existia uma bela cama, cercada por cortinas pretas onde Hipnos descansava, e Morpheus, seu filho e principal auxiliar, cuidava para que ninguém o acordasse.

Comumente retratado adormecido em um leito de penas com cortinas negras à volta, junto a um chifre contendo ópio, um talo de papoula e outras plantas hipnóticas, um ramo gotejando água do rio Lete - do esquecimento - e uma tocha invertida. Costumava ser visto trajando peças douradas enquanto seu irmão gêmeo, Tânato - a morte, normalmente usava tons prateados. Também aparecia como um jovem nu dotado de asas, tocando flauta com a qual adormecia os homens, com um rastro de névoa por onde passava.


Personificando a morte Tânato era Inimigo dos homens, residente no Tártaro, vagava às portas dos Infernos. Tinha o coração de ferro e entranhas de bronze. Os gregos o representavam com a figura de uma criança de cor preta com os pés tortos e acariciada pela Noite, ou ainda, com o rosto desfeito e emagrecido, coberto por um véu, os olhos fechados e com uma foice na mão.

Tais atributos remete-nos a homens “colhidos” como as flores e as ervas vulgares. Além da foice, asas, indicando a velocidade em alcançar os mortais; um facho em queda, como o fecho de uma etapa; uma urna, simbolizando o pós-morte, o corpo residual da vida e por fim, uma borboleta, representativa da alma.


Cria-se na morte como um ausentar-se da vida, tornar-se um eídolon: uma cópia astral, duplo etéreo, perispírito, corpo imaterial... Assim, semelhante a sua mãe, Nix (a noite) e seu irmão Hipno , Tânato tem o dom da regeneração, pois a morte não é o fim, mas uma transição, transformação, passagem; portal para um outro lado da vida.


Pois é, a mitologia guarda grandes lições. Todos os dias, experienciamos a “morte” transitória do sono, até aquele dia em que iremos transitar pelo “sono” experiencial da morte, para acordarmos em uma outra vida.




Menina dormindo com um gato, pintura de Renoir.



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6 comentários:

  1. Oi, Tonico!

    A mitologia é fantástica e está sempre relacionada, de uma forma ou outra, com a nossa realidade.

    Não sei o que se sente durante o sono, mas sei que posso sonhar, nem durante a morte, porque estou ainda viva, mas eu acho que são sonos iguais.

    A pintura de Renoir está uma ternurinha. Deve ser tão bom dormir com um gatinho no colo! Eles se adaptam e se equilibram muito bem.

    Abraço e bom feriado, amanhã.

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    1. Demorou, mas, eis aqui a minha resposta. É que a gripe me deixou fortemente abatido.

      Na verdade, a morte é um "sono" mais delongado que o sono normal de cada dia e o seu despertar nos remete a uma nova dimensão da vida.

      Um abraço e uma semana com tudo de bom.

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  2. Oi, Apon, como vai?
    Tão interessante a mitologia, e todos estamos debaixo de mitologia e arquétipos, é edificante estudar os dois assuntos como pano de fundo para a vida. A morte tem essa ambiguidade misteriosa... morremos para essa vida, mas não, para a existência. Penso que a pior morte é aquela que acontece quando ainda estamos vivos. Abraços!

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    1. Vamos, uns vivendo, outros, apenas sobrevivendo nessa vida que não finda, transcende. Infelizmente, muitos apercebem o real sentido do viver e vagam pelo existir como mortos vivos.

      Um abraço e uma boa semana.

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  3. Muito interessante essa reflexão sobre a morte, segundo a mitologia, torna até mais leve e menos doloroso esse tema "morte", o qual muitos encaram como o encerramento definitivo da vida, outros a veem como uma passagem, uma transformação.
    Abraços carinhosos!

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    1. Não existe fim. A morte é um ponto de continuação para o ser que transcende para a vida infindar. Um dia todos se reencontrarão.

      Um abraço e uma boa semana.

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Antonio Pereira Apon.