Manifesto de um texto engavetado



...me dar essas notícias das modernidades e das coisas: o muro de Berlin caiu, a guerra fria acabou, acabou a ditadura, só não acaba a minha prisão! Será que nunca vai surgir....


Ampulhetas caindo do céu


Eu sou um texto! Eu existo! Não sou um ninguém! Sou alguém! Um sujeito de direito! Não um objeto qualquer, para conformar-se em viver trancafiado no fundo de uma gaveta. O sentido do meu existir, é o de ser lido! No entanto, fico aqui: inédito, esquecido, desprezado, discriminado, cativo, trancafiado, enclausurado; sinto-me natimorto, abortado, rejeitado...


Outros textos passaram por essa velha gaveta, com ar emproado, gabavam-se de terem sido escritos num tal de computador, que no meu tempo nem existia. Eu nasci numa máquina de escrever, que dizem nem mais existir. Passaram por aqui também, uns textos gente boa, que mesmo vindos do tal computador, não eram metidos a besta. Esses me contaram de uma tal internet, onde os textos viajam o mundo inteiro, vão e vem sem limitações, são lidos em todo o planeta...


E eu aqui, exilado numa gaveta, com duas bolinhas de naftalina, algumas contas velhas, uns grampos, alguns clipes e outros cacarecos. Vez por outra é que aparece um textinho menos desafortunado, para me dar essas notícias das modernidades e das coisas: o muro de Berlin caiu, a guerra fria acabou, acabou a ditadura, só não acaba a minha prisão! Será que nunca vai surgir uma "Associação dos Textos Desvalidos"?


Acho que por conta disso tudo, essa noite sonhei um troço esquisito: meu autor, finalmente tinha tomado vergonha e me tirado da gaveta, ele me colocava numa máquina estranha, com uma luzinha que me fazia cócega s (dizia ele que estava me digitalizando), de repente, me senti fora do meu papel amarelado e dentro de uma coisa parecendo uma TV, depois me senti sendo lido em vários lugares ao mesmo tempo, era uma sensação gostosa, de vida e liberdade que só lembro ter sentido quando fui escrito.


Ser lido, inundava o meu ser de uma plenitude insólita, me sentia importante, útil, o sonho parecia não ter fim, parecia eternizar o prazer de um pobre texto, por tanto tempo perdido nas masmorras do esquecimento... Tudo ia bem, até que você me acessou... ...


Você??? Acessou???


Como???


(Postado aqui em 18 de agosto de 2007).


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Foto do autor: Antonio Pereira (Apon).


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Comentários

  1. Muito bem imaginado, muito bem elaborado, meu amigo és uma caixinha de surpresas!
    Parabéns

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  2. Nossa, que coisa legal, de uma criatividade e autenticidade perfeitas, muito bom ler!
    Amigo, agradeço pelo seu carinho e te desejo um ótimo fim de semana, beijos

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  3. O túnel do tempo o levou ao baú imaginário e de lá resgatou com sua vertente poética, tão belo colóquio entre o ontem e o hoje! Belo! Parabéns! Abraço, Célia.

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  4. Muito bom, Antonio, bastante criativo. Provavelmente é assim que os textos publicados nos blogs e não lidos devem se sentir.

    Um abraço

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  5. Oi meu amigo, vim agradecer suas palavras de carinho, sempre ficamos tristes ao nos separar das pessoas que amamos, mas a vida continua para nós e sei que devemos vivê-la o mais plenamente possivel.
    Obrigado e otimo findi semana.

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  6. Olá, António
    Mas que texto tão criativo!
    Atrevo-me mesmo a dizer que há muito tempo não lia nada tão invulgar, bem construido, tão cheio de imaginação.
    Adorei! Parabéns.

    Bom fim de semana. Beijinhos

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  7. Antonio Querido!

    Adoreiiiiiiii!
    Fantástica sua criatividade!
    Tenha um maravilhoso fim de semana!
    Beijos!

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  8. Lindo Dia Antonio*Ser um texto,que por Excelência mesmo tendo apenas uma linha,uma simples mensagem,já este texto não está sozinho,ele tem a missão de trazer e entregar a mensagem tão esperada pelos leitores.Um texto não pode ficar engavetado,tem que mostrar a cara,e ser como eu,um poema Irreverente,que não me acanho em espalhar pelo Universo os meus versos de Amor*Portanto amigo texto,nunca mais se esconda dentro da gaveta,pois eu amo você,meu amigo do Mundo das Letras.*Parabéns Antonio,pela genialidade desta matéria.Adorei.Bjus\Flor*Jardim do Amor*

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  9. Olá Antonio querido,
    Por vezes, me dá uma vontade de vir aqui e não mais sair. Leio-o e me deleito com seus textos. Sinto-me tão pequena diante dessa literatura arrojada e bela em que transitas.
    Este texto é maravilhoso! Que inspiração, querido escritor!
    Lindo e fascinante mundo a do texto que, no decorrer do tempo, ficou preso e quase esquecido, na gaveta.
    Ainda bem que o trouxeste de volta à vida. E, em seu retorno, surpreendeu-se com as mudanças que o progresso trouxe.
    Um ótimo domingo para você, amigo.
    Um super abraço e um beijo,
    Maria Paraguassu.

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  10. Olá estimado António,

    Adoro a palavra gaveta.
    Lá, tudo podemos guardar, o amar e o desejar e textos lindos de encantar.
    No dia 02 de Fevereiro, você pregou uuma partidinha àquele seu texto, tão acomodado e tão resguardado.
    Se calhar, ele até gostou de se tornar público, se mostrar.
    Tire mais de sua gaveta, bons, como este.
    Grata pelos comentários.

    Bom Domingo.
    Abraço de luz.

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  11. hahaha me sinto salvando o pobre textinho.

    Que coisa mais linda este seu texto, criativo.

    Um texto só existe totalmente a partira das leituras que são feitas dele, é um continuar de criação que cada leitura e interpretação propõe. Textos não são para gavetas, porque possuem vida, a vida que cada olhar dá a eles.

    Beijos, Antonio querido

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  12. Olá Antonio!

    Eu fiquei pensando nos meus "otrocentos" rascunhos, sendo que alguns já tem mais de ano.... tomara que eu nao comece a sonhar com eles e virem pesadelos: batendo na porta da minha mente e pedindo para sair!

    kkkkk

    BEIJOS

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Antonio Pereira Apon.

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