Eu sou um texto! Eu existo! Não sou um ninguém! Sou alguém! Um sujeito de direito! Não um objeto qualquer, para conformar-se em viver trancafiado no fundo de uma gaveta. O sentido do meu existir, é o de ser lido! No entanto, fico aqui: inédito, esquecido, desprezado, discriminado, cativo, trancafiado, enclausurado; sinto-me natimorto, abortado, rejeitado...
Outros textos passaram por essa velha gaveta, com ar emproado, gabavam-se de terem sido escritos num tal de computador, que no meu tempo nem existia. Eu nasci numa máquina de escrever, que dizem nem mais existir. Passaram por aqui também, uns textos gente boa, que mesmo vindos do tal computador, não eram metidos a besta. Esses me contaram de uma tal internet, onde os textos viajam o mundo inteiro, vão e vem sem limitações, são lidos em todo o planeta...
