Caminho das delinquências

 

Muito oportuna, a abordagem feita por Glória Perez em sua novela "Caminho das Índias", sobre a delinquência juvenil nas escolas. Por mais caricato ou surreal que pareça, a novela retrata com fidelidade, personagens reais do cotidiano escolar: Os pais permissivos, que não dão limites e se esmeram na deseducação dos filhos; a direção da instituição de ensino e seus dilemas didático-econômicos; a professora com sua indignada (e justa) revolta...

 

Numa suposta modernidade, muitos pais criam delinquentes, verdadeiros protótipos de marginais, que usam o ambiente escolar para dar vazão a seus instintos indomados. Mais tarde isso poderá  se traduzir no espancamento de domésticas em pontos de ônibus, queima de índios ou moradores de rua, depredação do patrimônio público, surra em garçom, atentado contra homossexuais, neo-nazismo, furtos, roubos, drogas... ... ...

 

Tais genitores, preferem "terceirizar" as culpas dos filhotes, ao invés de assumirem o papel de verdadeiros educadores de suas crias: É o professor que está de marcação, é a escola que não é boa, são os pais dos outros alunos uns problemáticos, são os colegas que não prestam e perseguem seu "anjinho de candura"... ... ...

 

Omissos e inconseqüentes, muitos não cumprem o seu papel de pais, e esperam que a escola preencha todas as lacunas, resolva todas as seqüelas, deixadas pela incompetência familiar. Assim, o professor se vê sendo: delegado, psicólogo, médico, padre, pastor, pai de santo, exorcista, adestrador, juiz... e quando dá, tenta ser professor.

 

Como podemos perceber, no cerne de boa parte das  mazelas  que afetam o comportamento estudantil (independente da classe social), está a falta de uma participação criteriosa pró-ativa e saudável na educação dos filhos. Como diz o ditado popular: "casa dos pais, escola dos filhos".

 

Licença Creative Commons Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original: Antonio Pereira (Apon) (Além do nome do autor, cite o link para o site http://www.aponarte.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Leia mais no Apon HP: Mensagens, poesias, artigos, crônicas, humor...

Comentários

+ lidas nesses 30 dias

Apedra. Poema de Antonio Pereira (Apon). O distraído nela tropeçou...

Folclore brasileiro em acróstico

Precisa de tinta para escanear?

Anonimato, internet e o anel de Giges

Você não precisa de cerveja para ser feliz

A gente (Paródia de: A casa - Vinicius de Moraes)

Amigos não tão virtuais

Pai. Sem ser super, ser “Herói”