O tempo e o humano espírito



... assistir o tempo não parar. Não para, não espera por quem tarda, retarda navegando contra a corrente...


Antonio Pereira Apon.


Água.


Corre o tempo a desaguar no infinito:
Gotículas os segundos,
gotas os minutos,
em pingos vão-se os dias.
Fogem as semanas,
correm os meses.
Seguem os anos sem detença:
Não tardam velhos nem novos,
esvaem-se os calendários e suas estações,
eclipsam os relógios.
Vão-se as chegadas e partidas,
o lembrado e o esquecido,
o chorado e o sorrido,
todo bem e todo mal.
Vai o pobre e vai o rico,
o poderoso e o fraco,
o crédulo e o descrente,
a vítima e o algoz.
Rio do tempo,
rio da vida.
Nasce antes do começo,
segue para além de depois do "fim".
Arrasta quem para à ribeira,
para assistir o tempo não parar.
Não para,
não espera por quem tarda,
retarda navegando contra a corrente.
Nessa vida tudo é transitório,
Ilusório e passageiro.
Real é o infinito,
Onde desagua o tempo e o humano espírito.



(Postado aqui em 18 de dezembro de 2010).


Subscreva aos destaques RSS de:
Powered by FeedBurner

Comentários

+ lidas nesses 30 dias

Apedra. Poema de Antonio Pereira (Apon). O distraído nela tropeçou...

Aprendizado. Reflexões de aniversário

A gente (Paródia de: A casa - Vinicius de Moraes)

Precisa de tinta para escanear?

Tempo sem pressa, sem preço

Meu partido é o Brasil. E o seu?