Quem doa



... Durante nossa vida, o que não mais nos serve vai para o lixo, ou se serve ainda para alguém, passamos adiante. Com a morte não é diferente; as opções são as mesmas! ...

Antonio Pereira Apon.


Aperto de mãos.

Quem doa um órgão, mais do que um órgão, doa: felicidade, amor, esperança, qualidade de vida, cidadania, dignidade, luz, saúde...


Por que, entregar ao vazio do sepulcro ou às chamas da cremação, a possibilidade de renovarmos vidas semeando sorrisos, multiplicando possibilidades, reescrevendo destinos?


Durante nossa vida, o que não mais nos serve vai para o lixo, ou se serve ainda para alguém, passamos adiante. Com a morte não é diferente; as opções são as mesmas! ... Com relativo acerto, a sabedoria popular diz que “da vida nada se leva”. De fato, Nada de material nos acompanha além túmulo; morrer é justamente o despir a alma, que abandona a vestimenta corpórea, mergulhando no imaterial a caminho de Deus. Não foi a toa que o Cristo disse: “nem carne, nem sangue entrarão no reino dos céus.” O que levamos da vida, é aquilo que fomos capazes de viver. Vamos deixar lembranças, exemplos, saudades, obras... e podemos deixar um coração batendo no peito de um pai que não poderia ver seu filho crescer, devolver a visão a uma mãe ou a um arrimo de família, libertar da diálise aquele jovem que sente seu futuro definhar na dor da incerteza, retirar do “corredor da morte” quem o pulmão ou o fígado já deu o seu ultimato...


Podemos também fechar os olhos como se nada disso nos dissesse respeito; com toda certeza, nunca iremos precisar receber um órgão, nem nosso filho ou filha, nem nossa mãe, pai, irmão... nem mesmo aquele amigo do peito... Essas coisas... só acontecem com os outros!?



(Postado aqui em setembro de 2007).


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