Amanheceres



Acordar da natureza, desacordar da cidade. Paradoxais despertares. A calma, o tropeçar da pressa, a dicotomia da paisagem na moldura da janela...


Antonio Pereira Apon.



O mundo preso na cidade. Composição de Antonio Pereira Apon.


Na natureza:

A aurora corre entre flores do campo,

suave brisa,

acorda os odores frescos da manhã.

Marulho de ondas,

rumor de rio,

cantar de passarinho...

Uma revoada de cores,

dissipa a noite escura,

despertando retinas,

para um banquete de luz.

Mas...

O cinza devora a cidade,

cidade que engole homens.

Tisnados, sobressaltados,

atidos, contidos...

Bipes eletrônicos,

campainhas analógicas,

buzinas dissonantes,

sirenes destoantes,

apitos...

Onomatopeias sem fim!

O rádio que ecoa,

celular que vibra,

computador que inicializa,

tevê que liga,

calma que desliga...

Um fragmento de paisagem,

trancado na grade da janela.

Bom dia!


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Comentários

  1. Maravilhosos seus versos, amigo...estou voltando aos blogs e tão feliz em reencontrar os amigos, em ler preciosidades como este seu poema.
    Feliz 2013... bom final de semana, beijos,
    Valéria

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  2. bom dia, amigo.
    E que tenhamos amanheceres mais suaves e coloridos, como os descritos no seu belíssimo poema.

    Um abraço.

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  3. Lindo poema de Bom dia! Eu consegui chegar apenas no Boa noite! Muito obrigada pelas verdades lidas e internalizadas.
    Abraço, Célia.

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  4. Apon, achei muito interessante o contraponto que fez entre a tecnologia e a natureza. Não é então viver melhor em meio às cores do que em meio ao cinza? Um abraço!

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  5. Meu querido amigo

    Um poema simplesmente maravilhoso e muito do tempo que vivemos.Adorei.


    Um beijinho
    Sonhadora

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  6. Un poema lindo.
    A primeira parte produrce relaxación, a natureza ten ese fin.
    Pero moitas veces vivimos atrapados nesa cidade onde vivimos atropeladamente.
    E como ben dis ese fragmento de paisaxe queda atrapado na ventá.
    un abrazo e boa semana.

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  7. Un poema lindo.
    Gústame máis a primeira parte. Produce relax, a natureza ten ese fin.
    Pero moitas veces quedamos atrapados na cidade e nas súas redes onde vivimos atropeladamente.
    un forte abrazo e boa semana.

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  8. Oi, querido Antônio!

    Tudo isso se passa no cotidiano, que faz também parte da natureza.

    Todos os sons, movimentos, cheiros e sabores se conjugam, mas não sabemos, por vezes, onde tudo isso irá parar.

    Abraço da Luz.


    Lindos os sons

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Antonio Pereira Apon.

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