Dânae. Se tiver de ser, será



Há uma poção de destino que foge ao nosso controle. Mas, a maior parte de nosso desiderato está sob nossa autoria.


Antonio Pereira Apon.


Dânae. Ilustracao da princesa quando fecundada por chuva de ouro - Ticiano.


Se você não se controla, seu descontrole te “controlará”. Sem um rumo para sua vida nem objetivo para seu viver, qualquer caminho é caminho, qualquer lugar é lugar e qualquer coisa é alguma coisa. É certo que o destino, não obedece de todo a um determinismo absoluto, afinal, diariamente escrevemos e reescrevemos nosso desiderato, através de nossas atitudes e escolhas. Contudo, vivemos a tropeçar no imponderável, colidir com o inevitável, o imprevisível pode se por a um passo, um segundo, um átimo… Coisas que fogem ao nosso controle, transcendem à vontade... Para as quais, profecias e premunições se revelam inúteis. Ante o que “está escrito”, o que tiver de ser, será.


Desgostoso por lhe faltar um herdeiro homem, Acrísio rei de Argos, consultou um oráculo, que lhe previu a morte pelas mãos de seu neto, filho de Dânae, sua filha.


Desesperado, o rei mandou trancafiar a jovem e virgem princesa, num inexpugnável cativeiro de bronze, protegido pelos mais confiáveis guardas do reino, para que a profecia jamais se cumprisse. Porém, o volúvel Zeus, Don Juan do Olimpo, caído de “amor” pela encantadora moçoila. fez-se uma chuva de ouro, infiltrando-se por um orifício no teto do cativeiro, desaguando no colo de Dânae, engravidando-a. Há quem se pergunte se essa tal chuva seria uma alegoria, ou teria Zeus, subornado os carcereiros? Se fosse no Brasil! …


Assim, nasceu Perseu. Quando soube, Acrísio mandou que sua filha e seu neto, fossem atirados no mar num caixote de madeira para que morressem sob as águas. Mas, por intervenção do “altíssimo pegador” Zeus, Poseidon acalmou os mares, conduzindo mãe e filho em segurança pelas correntes marítimas até a ilha de Sérifo. Resgatados por pescadores, foram levados ante Polidectes, o governante local. Acolhidos pelo irmão desse rei, Perseu foi educado. Com o tempo, apaixonado por Dânae, Polidectes quis desposá-la mas, receoso da rejeição do filho dela, envia o jovem para matar a tenebrosa Medusa, monstro que petrificava todos com seu olhar. O rei contava com o fracasso e morte do moço. Entretanto, o rapaz retornou vitorioso; para castigo do tirano, ao verem a cabeça da medusa, trazida pelo herói, ele e seus cortesãos foram petrificados.


Durante os jogos atléticos comemorativos de Lárissa, estando na plateia o rei Acrísio, este foi “acidentalmente” atingido por um dardo arremessado por Perseu, o seu neto, cumprindo-se assim a fatídica profecia.


Pois é… Estava escrito. Esse mito, ilustra bem uma poção de destino que não podemos controlar. O resto, depende de cada um de nós, do nosso fazer, ou não.


A fecundação de Dânae - klimt.


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Comentários

  1. Oi Antonio,
    Verdade! Nosso livre arbítrio é o mestre! As escolhas são de nossa responsabilidade, ao destino sobra pouco!
    Precioso texto!
    Beijo carinhoso!

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    1. Somos os autores e protagonistas da vida que escrevemos e reescrevemos dia a dia. O inexorável é uma pequena parcela vulnerável ao determinismo do destino.

      Um abraço e uma boa semana.

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  2. Olá, António!

    Tudo bem? Aqui, está chovendo pra variar (rs)!

    Que bela história1 É Mitologia e está tudo dito, mas dela sempre se extrai uma moralidade: nós fazemos nosso próprio destino, preferindo "a" a "b", etc.

    Eu sei que a rosa é oferta tua a todos os que por aqui passam. Estava só brincando com você!

    Abraço e boa semana.

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    1. Por cá, tudo bem, até choveu essa madrugada, mas o calor não passa. Infelizmente, muitos seguem na ilusão de poderem terceirizar suas culpas e responsabilidades, inculpam os outros, Deus, o destino... Quando muito depende de cada um fazer o seu possível e necessário. Depois reclamam...

      A rosa é, sim, para todos. Mas, top comentarista, recebe botões selecionados, especiais.

      Um abraço e uma semana florida.

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  3. Olá, Apon, que história! De fato, há uma parcela sobre a qual não temos controle,reconhecer e aceitar isso é humilde e sábio, mas concordo que boa parte do que vivemos faz parte das escolhas que fizemos para nós. Sempre digo que o lado bom é que sempre podemos rever nossas escolhas com o intuito de provocar outros resultados. Abraços!

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    1. As derrotas e vitórias, sucessos e insucessos... Em grande parte, são fruto de nossas escolhas, do nosso fazer, ou não. Não podemos controlar todos os parâmetros do destino. Mas fazendo o nosso possível, já faremos grandes conquistas.

      Um abraço e uma boa semana.

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Antonio Pereira Apon.

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