A pedra que não gostava de ninguém
... como aquela pedra, conserva uma dureza doentia, um ensimesmamento pernicioso que produz em torno de si, uma esterilidade devastadora. Trazendo para sua órbita tóxica, o mal que lhe agrega maior insalubridade. Assim como... Antonio Pereira Apon. Era uma vez uma pedra bruta e embrutecida que, incapaz de florescer e frutificar, odiava tudo o que era vivo. Raivosa, comemorava os incêndios na floresta, a poluição das águas e parecia torcer para que uma praga se espalhasse, dizimando fauna e flora. Inflexível e intolerante, fazia-se patologicamente rígida e alienada. Não escutando nada nem ninguém, acumulava a seu redor a erva daninha e aderindo-lhe à inutilidade mal resolvida; limo, fungos e diversos parasitas proliferavam pestilentos, superlativando sua postura deplorável. Certo dia, passando por aquele recanto desolado, um escultor resolveu trabalhar aquela pedra. Limpou, removeu a ramaria estéril, com golpes firmes e a inclemência criativa de quem sabe o que fa...