Robson (que não era o Crusoé), julgava saber tudo, entendia de estrume a física quântica, de jogo do bicho a mercado financeiro internacional... Grande aficionado por almanaques, fanático por bricolagem, incansável leitor de bula de remédio... Achava-se entendido em tudo e mais alguma coisa, um autodidata “pós-doutorado pela universidade da vida”. Seu amigo e “fiel escudeiro” Daniel (que não era o Defoe), vivia a consertar as lambanças do sabichão e aturar as adjetivações diminutivas daquela “inteligência superior”. Um dia, o Gênio resolveu construir um pequeno barco para se aventurar na Baía de Todos os Santos. Consultou seus alfarrábios, leu trocentas revistas e fez-se “Engenheiro Naval”. Calculou, rabiscou, projetou... Em algumas semanas, a “obra prima da náutica universal” estava pronta, ignorando os conselhos de um experiente carpinteiro, que discordara sobre o tipo de madeira e outros materiais empregados. Até mesmo a opinião de um experimentado saveirista, foi arrogantemente...