Na moldura da janela, o tempo pinta sua paisagem, sua metamorfósica tela. Hora, a natureza bela, devagar, divagando no vagar das horas, noutra hora, o homem, sua pressa tão mal apreçada, correndo para lugar nenhum. Na janela, mutantes cores, mutações gris o a cor dar da vida, o desacordar da lida mal vivida. O tempo de Deus, o destempero dos homens. Na janela passa a noite e passa o dia, passa a flor silente e a gritante agonia; passa a lágrima e o riso, o vazio e a poesia. Passa a arte que toca, o que não toca o coração; o que passa, o que não passa, o que se acomoda na estagnação. Na janela, vai o plural e o singular, o cristão e o mefisto, o belo e o sinistro, o que vai e o que teima em ficar. Vai o bêbado “desequilibrista”, o trabalhador malabarista; a sina de um, a sentença de outro…