Novo por dentro; advento ou eventualidade
Hoje, que ontem era futuro, amanhã já passou. A gente procrastina, como quem ao destino destina, nosso desatinar. Sempre posterga; prum ano novo remediar. Sem se fazer novo por dentro, não se faz advento, só, eventualidade. O futuro alimenta a ilusão, finge estar distante, quando a um instante está. O hoje, que ontem era futuro, amanhã já passou. E o que num momento fez-se aurora, noutro, sem demora; outrora se tornou. Mas a gente procrastina, como quem ao destino destina, nesse nosso vão desatinar. Queremos sempre o novo, pra de novo protelar; nova hora, novo dia, nova agonia; pra no ano novo consertar. Delirando colocar rédeas no tempo, velho homem em desalento, velhacas utopias, fantasias e lamentos.