O sem-fim que se escreve aqui: viver primaveras, aproveitar verões, aprender outonos, atravessar invernos; compreender a dádiva dos cabelos enevados. A vida, só eneva os cabelos de quem viveu muitas primaveras, aproveitou cada verão; com os outonos, aprendeu a atravessar todos os invernos para até depois daqui. Viver é assim: vamos semeando livremente nossos quereres, mas, compulsoriamente, colhemos a precisão de nossas necessidades. Nós, seres espirituais, vivendo essa viagem material, onde tudo passa. E como a senhora gosta de dizer: “ Só não passa uva passa”. As lágrimas que orvalham esses versos, são gotas de emoção, pingos de um bem querer, aninho do coração; uma oração. Como disse Jesus: “ O espírito quer, mas a carne é fraca”. Rende tributo ao tempo, sede à fadiga, se aclimata ao cansaço; A memória falha, já não é a mesma; os passos num novo compasso, já não se afobam na pressa dos dias; nossa maravilhosa máquina física, já reclama maiores cuidados, reparos, manutenção...