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Hoje é dia de quê?


Um emoji? Palavras para te falar?

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Faltam palavras, falta um emoji; pra te falar de mim, pra me contar de ti. Todo dia, te mando o meu melhor bom dia, à noite, a poesia de bom sono e sonhos te desejar. É que o sentimento subverte o tempo e a razão, faz o seu próprio momento, para além das explicações, das palavras ou de qualquer emoji; acontece, no aprazar, no dialeto do coração. Não, não podemos resgatar o tempo perdido, exumar o passado, ressuscitar instantes idos, nem consertar os tantos desconsertos do caminho; mas, podemos desemudecer o não dito, alforriar os gestos contidos, reescrever o agora, fazer do futuro, aurora de nós dois.

Achego de inspiração

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Ando desinspirado, desesperado atrás da inspiração; essa mulher caprichosa, que fica cheia de prosa, quanto mais a gente a quer. Faz graça, desdenha e debocha; faz troça e nos deixa na mão. Mas, quando é dela o querer, aí não tem jeito! Fatal, a moça nos seduz e sujeita, faz nosso o seu querer. Travessa e tão traquina, a moçoila não descansa enquanto não consuma seu afã.

O armário

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Juntei num canto antigas mágoas, noutro, velhos rancores. Empilhei minhas manias e defeitos de estimação, não esqueci minhas coleções: birras, implicâncias, teimosias… Deixei o pó da rotina se acumular, as traças do cotidiano se instalarem, corroerem a vontade, aranhas tecerem tramas de desânimo e acomodação, coisas mal resolvidas se assomarem… Entulhei as gavetas de inutilidades, soterrando sonhos no fundo delas. Permiti que o mofo da mesmice se espalhasse. E não tardou, as baratas roerem minhas ilusões e desimportâncias, as tantas inutilidades que me recusei a descartar. O cúmulo: O rato da depressão espreitou minha fé e esperança. Aí, eu abri as portas do meu armário; joguei o lixo no lixo, dedetizei, limpei, arejei, perfumei; desembolorei geral! Desentulhei, desacumulei, destralhei; desatravanquei! Liberei o sonho pra sonhar, convidar, abrir espaço para tudo que seja bom chegar; se achegar o que e quem seja do bem, aconchegar o amor, arrumar a poesia ...

Vida, o folhetim

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A vida, qual um folhetim; uma novela, uma obra aberta que não se adivinha o fim. O determinismo tenta, o destino intenta; mas, para o bem ou para o mal; o destino muda com o nosso mudar. Não dá para dar “spoiler”; a gente inventa, tenta, acolhe, desacolhe, escolhe ser protagonista ou coadjuvar; fazer-se caso do acaso, ter a vontade de causar.

A morte do congolês

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Proverbialmente cordial, desmente-se demente, a insana sanha nacional. Armada e desamada, vai aprendendo a desamar. Assim, com dor, morreu um congolês; que fugiu da morte lá, para com a morte aqui se encontrar.

Mudar, só se for para melhor; jamais troque uma rosa vermelha por um figo do inferno

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Hoje trago um conto, uma parábola, uma metáfora cuja semelhança com a realidade, não é mera coincidência: Brasilino tinha uma bela roseira, que no começo, produzia rosas vermelhas em abundância; com o tempo, as flores foram escasseando e apequenando, a planta foi se tornando mais suscetível a parasitas e tudo que era praga. No lugar de dar um jeito nas coisas, tomado de verdadeiro ódio, nosso amigo, decidiu que “qualquer coisa era melhor que aquela porcaria” e arrancou a roseira pela raiz. Andando pelo mato, ele encontrou uma planta chamativa, vistosa que lhe seduziu. Mal sabia o infeliz ignorante, que estava arrumando para si, uma treta verdadeiramente “rodrigueana”, a coisa era “Bonitinha, mas Ordinária”. Tratava-se de datura_stramonium; figueira do inferno, para os mais chegados, dando frutos fétidos, apelidados de figo do Inferno, Maçã Espinhosa… Uma infestante agressiva, de rápida disseminação, que compete com as demais plantas, suas sementes liberam alcaloides no solo, imped...

Despetalar, tanto bem querer

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Há tanto bem querer, no despetalar de um malmequer; pétala á pétala, destino a soprar, vento que aventa encontrar. Num recanto do passado, num canto do presente, em algum lugar que nos haja de chegar; achegar. Despetalar do amor, a flor do tempo; que flori, despetala, reflori na forma de outra flor.

Soares de Elza

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Ares, voares, cantares, soares; do “planeta fome” ao “fim do mundo”, alfinetando fundo pra não sucumbir. Driblando a sorte, afrontando a sina, a fraqueza que lhe cobra ser mais forte. Caetanear alíngua e ressurgir,

Por onde anda você?

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Você, que vaga em meus sonhos, qual a brisa de outrora; acordando sentidos, acarinhando sentimentos; exumando lembranças, memórias perdidas de nossos bons tempos; laços desatados, desabraçar dos braços, confiscar dos sorrisos... Hoje, me desencontro a te desencontrar nas redes, te desachando onde todos se acham; Desachado, me acho na praia vazia, mar do tempo a murmurar poesia, areia do destino a devorar meus passos, vadia saudade.

Contagem progressiva

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O relógio conta o tempo, o tempo conta a lida, a lida conta de nós, nós contamos da vida,

Vãos, em vão

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Em vão, furtaram nossas cores, maltrataram nossas dores; brincaram de matar e deixar morrer. Em vão, do nome de Deus abusaram, mentiram, falsearam, armaram, desamaram; enganaram a não mais poder. Vão poder de um falso, trevoso mamulengo; mal mexido por sombrias cordas, enrustido acordar do mal pior.

Adivinhação

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Ele não dizia para ela, o quanto ela dizia para ele. Calado, talvez esperasse ele, que ela adivinhasse, aquilo que ele não conseguia para ela dizer.

Pensamento borboleta

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O pensamento foge, feito borboleta, voa; de flor em flor, de cor em cor… Para onde couber sentimento, onde houver pensar; onde puder agir, onde existir sonhar; onde der para ser, onde puder estar, onde ousar acontecer… Galopando o vento; voejar no tempo, viajar no espaço; caber dentro e fora de um abraço, da Realidade e da utupia, pragmatismo e poesia; Onde florirem desejos, brotarem quereres, fazeres florescerem, serem pensamentos a borboletear.

Amor passarinho

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Amor, feito passarinho, quer aninho; gaiola, não quer não. Quer o laço de um abraço, não quer nó que lhe furte o espaço, entrelaço que lhe roube a amplidão.

Risos, sorrisos; só risos

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Risos, sorrisos, só risos; quando a lida for flor, florida, flor vida,; amor. Para que, quando a tristeza for finda, a felicidade que deslinda; plena de alegria, faça a graça grassar.

Amanhã já é hoje

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Amanhecer, amanhã ser. Impermanente, o amanhã não tarda e faz-se hoje. Tempo novo, de novo; pra se renovar, inovar. Dar um trato em tanto maltrato; no mau tratar da gente, da natureza, da vida, da lida; da beleza do estar aqui.

Vida Matrioska, feliz tempo novo

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O tempo não é menino nem menina, é vida; Matrioska o viver. No ontem, a geração do hoje; no hoje, a gestação do amanhã. O novo não se improvisa, o velho já avisa, recadeja o que pode vir a ser. Sucessos e insucessos se sucedem; somos netos do passado, filhos do presente, pais do futuro. Relativamente absoluto, o tempo é um paradoxo; ortodoxo, heterodoxo;

Poema simples

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Quero um poema simples. Nada muito rebuscado, buscado no fundo do coração. Versos fluentes como água de rio, com frescor de brisa matutina, colorido perfumar de flor. Qual onda de mar que brinca, espontânea criança a brincar; folha que dança ao sabor do vento, tempo sem pressa de passar. Poema com magia de amor recente, que não envelheceu, eterno enquanto for amor, vinho envelhecido de uma safra que não se perdeu. Versos doces ou salgados, com gosto de saber viver; domingos e feriados, bem saboreados, no dia que der pra ser.