O dito e o grito
... Tolice, culpar à Deus, à natureza; tragédia é a nossa dureza, crueza de não saber viver. O deflorar de fauna e flora, desflorar, grana que desarvora, desumano proceder. Querer se faz bonança ou tempestade, tristeza ou felicidade; ventura, desventura do escolher. A natureza posta à parte, cedo ou tarde pede aparte; repreende forte, reclama, o homem que então clama... Antonio Pereira Apon. O desiderato a gente traça, nas escolhas que abraça, no fazer e desfazer. O que a gente dita a vida grita, faz eco à nossa escrita; a estiagem, o chover. Nuvens vagam ao sopro do destino, passam, tardam... Marcam o atinar, o desatino. Chove dor ou alegria, desventura ou poesia, meteorologia do humano escrever. A estufa e seu efeito, defeito a poluir; o construir que mais destrói, a cobiça que corrói, progresso a regredir. O que a gente dita a vida grita, responde alto e eloquente, incoercível e bem fluente.