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terça-feira, 26 de abril de 2011

Não sou dono de mim





... Esmaece a esperança, como retinas que desertam da luz. Eu que sempre quis contentes meus versos, vivo esse descontente versar...


Antonio Pereira Apon.



Lágrimas nos olhos.


Já não sou dono de mim,

de mim se adonou o destino:

Aceitar o que não aceito,

concordar com o que não concordo,

brincar de ser contente,

deixar a vida me levar...

Cativo num silêncio devorador de sonhos,

me embriago de lembranças,

quimeras,

reminiscências do passado...

Sorri falsa a alegria,

Vertigem da alma a chorar.

Vem comigo valsar a Saudade,

vagar entre memórias,

que não pôde o tempo apagar.

Tempo que se esvai na pressa dos dias,

roubando a poesia,

sonegando inspiração.

Esmaece a esperança,

como retinas que desertam da luz.

Eu que sempre quis contentes meus versos,

vivo esse descontente versar.

Não,

não sou dono de mim...


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4 comentários:

  1. Oi, Antônio!

    Muitas vezes temos a sensação de que não comandamos nosso próprio destino.
    O que juramos nunca mais fazermos, acabamos repetindo, emoções que pensávamos não vivenciar nunca mais, acontecem de novo...
    Vivamos e deixamos estar, procurando melhorar o que há de melhor em nós.
    Se houver mesmo destino, que ele venha, mas que tenhamos consciência que fizemos a nossa parte!

    Belo poema!
    Abraços,
    Mary:)

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  2. Por mais que tentemos nunca seremos absolutamente donos de nós...
    Esta é uma tentativa vã - a de se desejar não pertencer as demais estações do MUNDO...
    Abraços


    O poema é muito belo!!!

    ResponderExcluir
  3. Olá Mary.

    O destino é uma “obra aberta” na qual, num instante somos autores, noutro protagonistas e em alguns momentos. Meros coadjuvantes.

    Obrigado.

    Um abração.

    ResponderExcluir
  4. Oi Malu.

    É verdade. Não somos donos de nada, nem mesmo de nós próprios. Somos usufrutuários da oportunidade do viver.

    Obrigado.

    Um abração.

    ResponderExcluir

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Antonio Pereira Apon.