O natal dos bichos - Antonio Pereira (Apon)


Ilustração de Samara Dias (08 anos).

Capa da segunda edição da : Coleção Graziela.
Esse mais seis contos infantis, estão na: Coleção Graziela.
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Era uma noite calma na floresta quando o papagaio se aproximou do urubu para conversar:

- Seu urubu, estou recolhendo contribuições para fazermos uma festa de natal na floresta.

- Natal é coisa de gente rapaz! E de gente rica! Não é coisa de bicho, muito menos de bicho pobre.

- Deus é o criador da natureza, e o natal é a festa de todos os seus filhos.

- Qual é seu papagaio?! Com esse papo de Deus você está é aprontando alguma, conte pra mim vá ; quanto você vai ganhar com essa festa?

- Meu lucro é ver todos unidos comemorando o nascimento de Jesus cristo.

- Olha só gente! O louro virou crente!.. seu papagaio o senhor não me engana. Um dia desses, o senhor e o macaco estavam pela floresta a distribuir uns livrinhos de piadas indecentes, agora quer dar uma de santinho é?

- A gente muda seu urubu!.. mas não tenho tempo a perder. O senhor vai ou não vai colaborar? Quem não tem nada para dar, ajuda com trabalho.

Nesse instante a preguiça surgiu irritada:

- Quem está dando palavrão tão feio na floresta? Não se tem mais respeito por aqui?

- Que palavrão dona preguiça? - Perguntou o papagaio.

- Trabalho! Quer palavrão pior que esse?

- Deixe de preguiça dona preguiça, vamos fazer nossa festinha. - Convidou o papagaio.

- O macaco já tinha me falado dessa festa. Eu tô fora.

- Vocês é que sabem. Mas se mudarem de ideia nos procurem; o gambá já está cuidando da decoração.

Com ar de desprezo, o urubu foi perguntando: - Aquele preto fedorento?!

O gambá, que passava ali por perto, ouvindo o que dizia o urubu a seu respeito, reagiu alucinado:

- Eu ouvi isso! Eu ouvi isso seu descompreendido! Por acaso, não é o senhor que vive na carniça? Quem ouve o senhor falar, pensa até que o senhor é branquinho; e que importância tem ser preto, branco, azul? ... caráter não tem cor!

O papagaio, concordando com o gambá, recriminou o urubu:

- Que coisa feia seu urubu. Somos todos iguais diante de Deus.

Até a preguiça, ficou contra o urubu:

- Aí você pisou na bola meu nêgo, racismo é um palavrão muito pior do que trabalho.

Nesse momento, chegou o macaco:

- E aí pessoal?! Vamos ficar aqui parados conversando? Daqui a pouco está na hora da festa.

- Eu estava aqui convidando seu urubu e dona preguiça, mas eles não querem participar. - lamentou o papagaio.

- Mas que bobagem é essa pessoal? Vamos nos unir, lembrar o presépio de Belém.

- Lá não tinha urubu, papagaio, gambá... - disse o urubu.

- Nem preguiça! - completou a própria.

- Lá só tinha o intrometido do burro, a metida da ovelha, com seu casaco de lã e outros bichos chatos. - finalizou o urubu.

E a preguiça:

- Natal não é para nós, eu vou é dormir!..

Decepcionado, o macaco chama os amigos para irem terminar os preparativos da festa:

- Olha pessoal, vamos deixar esses dois aí, se eles não querem, o que podemos fazer?

- E você, conseguiu falar com o leão lá na Disney? - perguntou o papagaio.

- Falei, mas ele não poderá vir, sabe como é vida de artista não é?

- É... Mas vamos ao trabalho! - convocou o gambá.


Enquanto os outros animais alegremente preparavam a floresta para a grande festa o urubu e a preguiça se escondiam nas sombras da noite em um canto isolado e triste.

Quando a festa começou, uma grande estrela apareceu no céu, iluminando a todos que se confraternizavam na alegria e na paz.

No seu canto escuro e triste, só restava à preguiça e ao urubu o lamento de quem não quis a felicidade de repartir com os outros a alegria do natal.

- Olha como eles estão felizes, dona preguiça.

- E nós aqui, feito dois bestas.

- Nós erramos, Vamos lá pedir desculpas!

- Eu não seu urubu, tenho vergonha. Nós não ajudamos em nada.

- Eu não devia ter falado aquelas besteiras.

- Agora não adianta chorar pelo leite derramado...

Para surpresa dos dois, naquele instante todos os bichos da floresta se aproximaram trazendo presentes.

- Nós não merecemos. - disse o urubu envergonhado.

- Meu Deus, que vergonha, nunca mais vou ser tão preguiçosa. - choramingou a preguiça.

Uma bela jovem, surgiu de dentro de uma grande luz e falou:


- Eu sou a fraternidade

quero a amizade e a união,

pois Jesus Cristo ensinou

que o amor é maior que tudo.

De Belém

um canto novo

diz que todos são iguais,

ninguém é melhor que o outro!

Quem diz é Deus, nosso pai;

amor que dele emana

é a luz que nos irmana

na poesia do natal.



Postado aqui em 20 DE JULHO DE 2009.


Antonio Pereira Apon.

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Antonio Pereira Apon

Autor do poema: A pedra. O distraído nela tropeçou... Procurando escrever em prosa e verso com a arte da vida.

2 Comentários

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  1. Oi, Antônio!

    Tão interessante esse texto!
    Os bichos dando exemplo ao bicho Homem. Assim, é que nós nos deveríamos comportar.

    "Roubei" um presentinho da sua árvore da Natal.
    Penso que é uma rosinha, em chocolate. Sorry!

    Abraço da Luz, com carinho.

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    Respostas
    1. Individualista, egoísta e egocêntrico. O ser humano, tenta a todo custo, terceirizar os seus fazeres e colher o que não se digna a cultivar. Lamenta, reclama, blasfema... Espera por milagre, suspira por magicas, reclama benesses Divinas.... Enquanto a natureza oferece fartas lições para o nosso melhor. Queremos aprender???

      Estás sempre a levar coisinhas das nossas ilustrações... Rs rs rs...

      Obrigado Luz.

      Um abração.

      Excluir
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