Crônica de uma noite insegura - A arte da vida. Apon HP


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terça-feira, 13 de agosto de 2013

 

                    Crônica de uma noite insegura              

     

...o corpo, penhorando a alma. Aqui ou ali uma sirene... Um estampido sobressalta, a Lua a tudo assiste, vem a poesia calar...


Lua.


O sol se põe.

As sombras se alongam,

espalham-se quais soturnos tentáculos,

vão devorando cada resto de dia.

Acendem-se as pálidas luzes de artificio,

intentando imitar as estrelas,

ocultas, camufladas sob a poluição.

A pressa vai pouco a pouco desertando as ruas,

uma aparente calma trafega nesse vazio.

Notívagos arriscam a noite,

meliantes espreitam o alheio;

um sacizeiro fuma seu destino,

outros cheiram, injetam, bebem em desatino.

Trôpegos bêbados tropeçando no nada,

ébrios loucos em máquinas alucinadas;

vão bebendo toda sorte,

até que o “azar” conspira a morte.

Travestis e prostitutas,

dividindo, disputando a difícil “vida fácil”;

vendendo o corpo, penhorando a alma.

Aqui ou ali uma sirene rasga o silêncio,

alhures um estampido sobressalta,

acolá são ais a assaltar.

Impotente, a Lua a tudo assiste;

segurança inexiste,

insegurança a rondar:

Ronda o casal enamorado,

cinema teatro, bar;

ronda a praia e a boate,

vem a poesia calar.

“entre mortos e feridos”, nem todos se salvaram;

muitos sobreviveram,

alguns, ficaram no caminho.

Alvorecer de outro dia,

recolher, encolher as sombras,

desnudar manchetes a noticiar.


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Foto do autor: Antonio Pereira (Apon).


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10 comentários:

  1. Uma poesia com densa reflexão da realidade em que vivemos... A noite com lua e estrelas, que emolduravam amores e serenatas apaixonadas, hoje camuflam insegurança, infelizmente...
    [ ] Célia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fora do falacioso discurso político e da ficção da propaganda oficial, a noite retrata a fidedigna face do Brasil: Inseguro, doente e deseducado. Muito além de questões sociais, a violência reflete os desserviços de nossas autoridades cada dia mais incompetentes.

      Um abração.

      Excluir
  2. Linda poesia, feita de realidade!
    Oh! Pobre Lua! Deve andar um tanto triste, assistindo
    a muitas atrocidades!
    Ainda bem que os poetas resistem!
    Beijos, querido amigo poeta!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Lua é esperta. Mantém uma distancia segura de nós, pobres mortais. Senão já teria amargado o dissabor de tanta violência. Triste Brasil.

      Obrigado Jossara.

      Um abração.

      Excluir
  3. Amigo poeta, tem hora que nem sabemos como encontrar palavras para definir o que estamos vendo, percebendo, passando, vivendo, lembranças de tempos distantes que nem sempre foram melhores.
    Quando leio, vejo, ouço tudo sobre esse tempo de "mudanças' percebo que essa é muito mais lenta do que eu imaginava!
    Não perco a fé na vida, isso jamais, mudar o mundo não dá, mas se se pode mudar a nós mesmos e sendo assim é assim que o faço!
    Abraços meu amigo poeta sensível!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Resta-nos preservar a paz interior e vibrar positivamente por uma sociedade melhor que resgate os valores da cidadania.

      Obrigado.

      Um abração.

      Excluir
  4. Olá Antonio

    Caos urbano a roubar do homem a humanidade que ele um dia supôs ser o seu melhor. Cada dia mais as sombras encobrem as claridades.

    O bom de ter voltado à internet é a oportunidade que se ganha de ler poemas como este.

    Abração, Antonio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vivemos uma espécie de eclipse da cidadania, onde a sociedade vê confiscados valores fundamentais como segurança, educação e saúde. As trevas do descaso, da omissão e da incompetência nos ensombram e assombram na escuridão de tanta e descabida violência.

      Obrigado por seu gentil comentário.

      Um abração.

      Excluir
  5. Meu querido amigo

    Um poema muito real, infelizmente em lado nenhum encontramos segurança.

    Um beijinho com carinho
    Sonhadora

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realidade insegura, gestada no voto errado, no estelionato eleitoral que vende ao eleitor o banditismo politiqueiro. Mas um dia o sol brilha e dissipa tantas sombras.

      Um abração.

      Excluir

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Antonio Pereira Apon.



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