Não há pulso, não há fluxo... - A arte da vida. Apon HP


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sábado, 25 de março de 2017

 

                    Não há pulso, não há fluxo...              

     

Cidades quentes, almas frias, planeta febril. Vadia sanha de “progresso” sem ré; riqueza sem vida, pobreza sem fé...


Antonio Pereira Apon.



Cataratas do Iguaçu, pintura de Lyssack Gennadiy.


Mata a mata,

desmata sem dó.

“Morrentes" nascentes,

terra a secar;

seca, pó,

extingue o cio do chão.

Não há pulso, não há fluxo…

Cidades quentes,

almas frias,

planeta febril.

Vadia sanha de “progresso” sem ré;

riqueza sem vida,

pobreza sem fé.

Não há pulso, não há fluxo…

Ressequida a paisagem,

desértica miragem,

natureza morta,

aborto da torta razão.

Não há pulso, não há fluxo…

Farta grana, parca sensatez,

sepulcros cheios, berços vagos;

isquêmica ganância,

congestiva, obstrutiva estupidez.

Não há pulso, não há fluxo…

Périplo do tempo,

Refluxo,

ciranda insana,

vacante,

vazante insolução.

Não há pulso, não há fluxo…

Delírio do homem,

vertigem do clima,

sentença final:

Não há pulso, não há fluxo.


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6 comentários:

  1. Olá, António, meu amigo!

    Sem tirar, nem pôr. Exatamente, assim!

    Como sempre teu jogo de palavras, verbos, adjetivos, substantivos, todos numa cadência e ritmo perfeitos.

    Bem, te digo eu: que "para grandes males, grandes Remédios".

    Beijinho, menino e boa semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Será que ainda tem remédio? Ou o ser humano levará até o fim a sua sanha destruidora? Estamos assistindo a política imbecil e tacanha do Sr. Trump, um exemplo de até onde pode ir a insanidade de gente que põe a grana acima de tudo: da vida humana, da natureza, da subsistência da vida em geral na Terra...

      Um abraço.

      Excluir
  2. Bom dia, António
    Com uma cadência espantosa, em versos bem delineados, aqui está uma descrição perfeita do estado deplorável a que o Homem está reduzindo o planeta. Até quando???

    Bom Fim-de-semana
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Até quando"? Eis a grande questão. Até onde irá a insanidade desumana!

      Bom fim de semana.

      Um abraço.

      Excluir
  3. https://poemasdaminhalma.blogspot.com/
    Boa noite caro António!
    Como sempre, excelente poesia... bem rimada e em simultâneamente muito bem ritmada.
    Gostei imenso.
    abraço e continuação de boa semana.
    Luisa

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vamos tentando seguir no fluxo, no pulso da inspiração.

      Obrigado. Boa semana para ti também.

      Um abraço.

      Excluir

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Antonio Pereira Apon.



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