Eu, meu todo e minhas partes
Frigidez e orgasmo, arrebatamento e marasmo, alívio e dor. Sou moderno e antiquado, a moldura e o quadro, o escrito e o escritor. A chave e a fechadura... Sou meu saber e minha ignorância, maturidade e infância, sou plural e singular. Sou gaiola e passarinho, O caminhar e o caminho, Meu dizer e meu calar. Sou água e também vinho, arrumação e desalinho, recatado e pecador. Sou a chuva e a estiagem, sou real e sou miragem, pragmático e sonhador. Sou inverno e verão, razão e coração sou todas e nenhuma estação. Sou o cheio e o vazio, a fome e o fastio, o desprezo e o querer. Sou desamparo e esteio, o trabalho e o passeio, o crer e o duvidar. Sou lume e escuridão, grão, amplidão, sou céu, entretanto chão. Sou o certo e o incerto, tolo e esperto, vitorioso e perdedor.