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Entre a luz e o pigmento, a quizumba das cores

Fábula sobre a quizumba das cores: quando o purismo ideológico da polarização quase apaga a poesia e o sentido do nosso mundaréu.

Em uma fábula poética e filosófica, exploramos o quiproquó da polarização de mentes dementadas, metaforizado na briga entre Preto e Branco. A intolerância purista ameaça apagar a luz e o pigmento, transformando o mundo em um deserto acinzentado onde até a comida perde o sabor. Uma reflexão profunda sobre a burrice da intolerância e a redescoberta da poesia através da sabedoria simples de um prisma. Uma reflexão filosófica e artística.

Homem maduro, com olhos semicerrados e mãos entrelaçadas em pensamento profundo e melancólico. Ele está sentado entre ruínas de madeira e azulejos cinzentos, em um ambiente acromático que evoca desolação. Diante dele, um pequeno prisma cristalino suspenso no ar captura uma luz fria e projete um arco-íris vibrante e saturado sobre os azulejos opacos. O contraste entre o mundo acinzentado e as cores puras e luminosas do arco-íris é a força visual da imagem, simbolizando a esperança e a sabedoria poética redesenhando a realidade. #PraCegoVer #ParaTodosVerem
A despoesia dos discursos vãos cega para a beleza da complementariedade, mas a sabedoria simples de um prisma sempre decompõe a desordem em poesia. – Imagem gerada e descrita por inteligência artificial.

Nem as cores escaparam desse novidadeiro quiproquó da polarização de mentes tão dementadas, alheias àquele velho dito: “Cabeça vazia, oficina do Diabo”. Abilolados, o Preto e o Branco, dois personagens extremados, trabalhados na mais intolerante rigidez, decidiram atropelar uma secular harmonia; resolveram fundar seus próprios partidos, verdadeiras seitas puristas. Nessa pegada pra lá de esquisita, supremacista, o Branco tomou-se de um elitismo radiante, declarou-se a soma de todas as virtudes da Luz Aditiva. O Preto, no polo oposto, fechou-se no dogma da Essência Pura e da Mescla Subtrativa. Entre manifestos odientos, espalharam a conversinha fiada de que a convivência entre frequências e pigmentos era uma aberração moral, depravação do arco-íris. Sequestradas as cores primárias, descoloriu-se esse nosso mundaréu de Deus nos acuda.

Não tardou, e o fascínio fanático da discórdia contagiou o equilíbrio do círculo cromático.

O Vermelho, inflamado de orgulho, alcunhou o Azul de frio, insípido e “Maria vai com as outras”. O Azul, reativo e nada diplomático, disparou que aquela cor raivosa não passava de uma frequência vulgar e exibida. O Amarelo, encurralado entre os contendores, subiu no muro, posando como o único canal neutro de iluminação, mas como “quem quer agradar todo mundo termina não agradando ninguém”, acabou odiado por geral e pirou na batatinha, passando a enxergar conspirações em tudo e todos.

Desencontradas nesse desatalho negacionista, as cores primárias partiram para a greve. O Vermelho largou a mão do Azul; o Azul deu as costas pro Amarelo... E a matemática da natureza danou-se:

O Verde, sem o abraço do Amarelo e do Azul, desesperançou e desertou das matas, deixando os campos pardacentos qual papelão no lixo.

O Laranja, furtado o calor da mistura, esfriou até empalidecer sorumbático.

O Roxo, na desatenção do azul com o vermelho, finou-se num suspiro e se desfez nas berinjelas e nos arrebóis.

Não demorou para que os dois ideólogos oportunistas se valessem do caos. O Preto e o Branco organizaram o domínio absoluto. O Branco torturou o Vermelho sob um enceguecedor e esterilizante holofote. O Preto encarcerou o Amarelo num pote de nanquim hermeticamente fechado a trocentas chaves.

Bastaram poucos dias e o globo perdeu o elã. As borboletas pareciam decalques em papel jornal, os mares como que desidrataram e os frutos perderam o viço sedutor. As pessoas, errantes na rua — agora vestindo tons monótonos de uma cor que se vê, mas ninguém consegue enxergar —, tropeçavam no quase acromatismo, gritando que a culpa pelo deserto desbotado era, sem sombra de dúvida, do outro.

Seguiam despercebidas de uma realidade óbvia, gritada pela física e pela vida: a luz sem o pigmento faz-se reles clarão sem sentido, e o pigmento sem a luz não vai além de mero restar de poeira obscura.

Nem o cinza sobreviveu ante o despautério entre o Preto e o Branco. A arte virara desarte, semáforos descoloridos borravam o trânsito, a comida tornara-se incomível, insossa — a própria rotina virara um espectro paranormal, quase mediúnico…

Eis que um prisma, esquecido sob o entulho do caos, decompôs a desordem. Tal qual criança com sua mágica caixa de lápis de cor, não deu bola pro disse-me-disse do faz-que-faz e redesenhou a realidade, recolorindo a paisagem com a poesia de quem não se deixa levar pela despoesia dos discursos vãos.

Você já percebeu o cinza fantasmagórico que a intolerância ideológica projeta na sua rotina? O que, em sua opinião, seria o "prisma" que nos ajudaria a decompor essa desordem atual?

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Comentários

  1. Amigo Antônio, boa tarde de Paz!
    O branco ameniza todo denegrir das cores atuais... para mim
    A sensação de paz necessária.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Abraços fraternos

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    Respostas
    1. Carecemos mesmo de muita paz nesses dias atribulados que tentam sufocar o colorido da vida.

      ☕ Um abraço. Tudo de bom 😊🌹🌺🌷🌻

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