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Tempo de fala - "Não é por muito falar que sereis ouvidos"

Reflexão poética sobre como a verborragia e a ansiedade consomem nosso tempo. Descubra a importância do silêncio e do pensamento consciente.

Uma reflexão poética sobre a verborragia, o silêncio e a relação conturbada com o tempo na sociedade contemporânea. Descubra como a ansiedade transforma palavras em ruídos vazios e entenda a importância de resgatar o pensamento reflexivo antes do falar. Um texto provocativo sobre a pressa e o desperdício existencial.

Uma ampulheta grande e ornamentada está sobre uma mesa de madeira rústica em uma biblioteca antiga. Dentro do vidro, um brilho dourado em forma de espiral envolve pequenos relógios e engrenagens. Na parte inferior, letras e palavras em português, como “TEMPO”, “FALA” e “ETERN0”, flutuam em meio à luz. Um rastro de fumaça luminosa escapa da ampulheta e se espalha pela mesa, transformando-se em mais letras brilhantes. Ao redor, há livros antigos, um tinteiro com pena e um relógio de bolso prateado, compondo uma cena que mistura magia, tempo e escrita. #PraCegoVer #ParaTodosVerem
Quando as palavras se apressam sem reflexão, o tempo não se acumula: dissolve-se no ar como fumaça. – Imagem gerada e descrita por inteligência artificial.

Tem gente que fala pelos cotovelos,
se enovela de tanto falar.
De tudo faz novela,
enredo pra se enredar.
Tagarela;
perde tempo falando,
ignorando que,
pensando, só teria tempo a ganhar.
Sem freio, a língua atropela o tempo,
furtando tempo no tanto falar.
Metralha a língua nervosa,
ansiosa, já desborda da boca,
se alonga, até nas palavras tropeçar.
Reclama do tempo que não dá um tempo,
mas joga falares ao vento,
num sem tempo que não deixa calar.
Dizeres vazios, instantes que não dizem,
oprimem o silêncio que suplica respirar.
Palavras deitadas na inutilidade,
no berço nada esplêndido da falação.
Parafraseando o evangelho:
Usa,
abusa do santo nome do tempo em vão.

A verborragia ansiosa como dilapidação da existência. O poema expõe como a necessidade incontrolável de falar esvazia a vida de sentido, transformando o tempo — a substância da qual somos feitos — em fumaça e palavras vazias.
Faz uma reflexão sobre a ilusão contemporânea do falar e a profanação do sagrado. Ao invocar o "santo nome do tempo", o poema eleva este ente à categoria de divindade ou dom essencial que é desrespeitado pela verborragia irrefletida.

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