Encruzilhada - Entre a Vida, a Morte e a Ambição Humana. Poema Reflexivo
Um poema reflexivo sobre a vida, a morte, a ambição humana e os conflitos que desafiam nossa busca pelo equilíbrio.
Poética sobre os caminhos da vida, a ambição humana e os conflitos de interesses que dividem a humanidade. Entre a sorte e o azar, a vida e a morte, a poesia questiona nossa relação com o mundo e a busca pelo equilíbrio. Uma leitura filosófica e poética sobre escolhas, poder e convivência.
Na encruzilhada entre o azar e a sorte,
cruzam a vida e a morte,
o sul e o norte,
no traçar de um rumo,
um prumo pro coração aprumar.
Ninguém é dono do mundo,
mas todo mundo é filho do dono,
e dele quer se adonar.
Encruzilham poderes,
quereres e desquereres,
haveres a não mais poder.
Enrodilhados nas disputas:
o chão, o tempo, o ar...
tantos elementos,
deselementos a desenovelar...
Embaraçados interesses,
embaralhados desvalores...
Esse nó sem dó,
quem há de desatar?
Desencruzilhar o azar e a sorte,
a vida e a morte,
o sul e o norte,
pôr no prumo o coração...
A encruzilhada:
Ninguém é dono do mundo,
mas todo mundo é filho do dono,
e dele quer se adonar.
O poema transforma uma imagem simples — o cruzamento de caminhos — em uma reflexão sobre a condição humana, a disputa pelo poder e a dificuldade de encontrar equilíbrio num mundo de interesses conflitantes.
Sua mensagem central está na contradição entre pertencermos todos ao mesmo mundo e, ao mesmo tempo, agirmos como se pudéssemos ser seus proprietários absolutos. A frase recorrente — “Ninguém é dono do mundo, mas todo mundo é filho do dono, e dele quer se adonar” — dá ao texto uma dimensão crítica: denuncia a ambição de dominar aquilo de que somos apenas parte.
Há inquietação, perplexidade e uma espécie de cansaço diante dos conflitos que se acumulam sem solução. A pergunta “quem há de desatar?” traduz a angústia de quem percebe o tamanho do nó.
O poema confronta opostos — azar e sorte, vida e morte, sul e norte — para mostrar que a existência é feita de forças que se cruzam e nem sempre se conciliam.
A encruzilhada representa as escolhas e os impasses; o prumo simboliza o equilíbrio moral; o nó traduz a confusão de interesses, enquanto “desencruzilhar” sugere a necessidade de desfazer antagonismos.
O texto parte do cruzamento de caminhos, amplia o olhar para as disputas humanas e termina retornando à ideia inicial. Essa estrutura circular reforça a sensação de que continuamos presos ao mesmo dilema.
A força do poema está também em sua linguagem inventiva: “desquereres”, “deselementos” e “desenovelar” ampliam o sentido das palavras e reproduzem verbalmente a confusão que o texto procura decifrar.
No fundo, não se trata apenas de escolher um caminho. Trata-se de compreender por que transformamos a convivência em disputa e a condição de habitantes do mundo em pretensão de posse. O poema não oferece uma solução fácil: devolve ao leitor a responsabilidade de procurar o prumo.
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