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Poderes a ponderar: truques, mentiras, manipulação, poder, fanatismo e a urgência em resgatar a razão e a verdade.

Uma poesia sobre mentira, manipulação, poder, fanatismo e a necessidade de preservar a consciência e a verdade.

Quando a mentira se veste de verdade, o poder ganha novas máscaras e a manipulação encontra terreno fértil nas consciências distraídas. Em “Poderes a ponderar”, Antonio Pereira Apon conduz o leitor por uma reflexão poética e crítica sobre política, religião, charlatanismo, fanatismo e alienação coletiva. Um convite a questionar discursos, desmontar ilusões e recuperar o discernimento diante dos artifícios de quem transforma a verdade em instrumento de conveniência. Afinal, pensar é também um exercício de liberdade.

Montagem em preto e branco de uma grande cidade lotada: ao centro, um homem de terno e chapéu, sem rosto visível, discursa em um palanque antigo com microfone, enquanto levanta os braços; de suas mãos sobem fios de fumaça que formam coroas e símbolos de cifrão sobre sua cabeça. À direita, em primeiro plano, uma menina de casaco e gorro encara o orador segurando uma única rosa vermelha brilhante, o único elemento colorido na cena. Ao fundo, uma multidão observa, e as bordas da imagem parecem feitos de fragmentos de espelho refletindo partes distorcidas da multidão e dos prédios. #PraCegoVer #ParaTodosVerem
Entre coroas e cifrões de fumaça, um líder sem rosto discursa para a multidão, enquanto a resistência silenciosa de uma menina se resume a uma única rosa vermelha acesa no meio da cidade em preto e branco. – Imagem gerada e descrita por inteligência artificial.

Numa alquimia reversa,
a mentira vira verdade
e a inverdade desconversa.
Iludida, versa o caráter (ou a falta dele).
O mentiroso contumaz,
quanto mais mente,
mais dana a mentir.
Aposta na mentira do poder,
para fazer valer o poder da mentira.
Mas,
o poder que pondera, empodera,
o poder que extrema,
traveste o dom de desponderar,
alucinar a realidade,
fantasiar a alopração.
Mitômanos mitos,
ritos da enganação.
Mente a política, ajuntada à religião,
a ideologia da ilusão;
mente o vendedor de fumaça,
do templo, o vendilhão.
Ilusionistas de ofício,
vendem o artifício de um céu,
para garantir seus paraísos fiscais na Terra.
E a massa entorpecida,
iludida, compra o truque,
ébrio veneno bacante,
adestrada ao pão e circo,
bate palmas pro farsante.
Assim descaminha a verdade.

“Jamais alguém pôs em dúvida que verdade e política não se dão muito bem uma com a outra.”
— Hannah Arendt, Verdade e Política.

A citação aparece associada ao ensaio de Arendt em estudos acadêmicos sobre a mentira na política, como o artigo publicado pela revista Nossa Ciência.
Ciência ao alcance de todos+1
É um contraponto especialmente pertinente ao poema: quando a verdade incomoda os interesses do poder, começa a batalha pela construção de versões da realidade.

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