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Hoje é dia de quê?


Os acomodados que se incomodem

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Tem gente que quer mais do que pode, sem nem perceber, só pode menos do que quer, porque apenas quer. Não se esforça, não se empenha nem se dedica; aposta no mais fácil, cai no conto do menor esforço e se acomoda, esperando favores da sorte, dádivas do céu; incomodando-se com quem faz acontecer e merecer o próprio querer.

A presença da ausência

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... A miopia do ter, vai embotando a realidade, entorpecendo os sentidos materializados, insulando a criatura em seus hiatos delirantes... Diversamente, outros não tardam "lambendo as feridas" imaginadas pela própria imaturidade existencial... Há quem viva se lamuriando por faltas e ausências meramente artificiais e artificiosas. Apercepção de uma vaidade orgulhosa, futilmente egoísta. Tem gente que reclama da vida e se maldiz, por não poder ter o carro dos sonhos, aquela casa maravilhosa, o emprego mais endinheirado; por não ter uma mulher dessas de capa de revista, por não tirar a sorte grande na loteria, não poder fazer aquela viagem espetacular, não ser famoso nem consumir determinada marca... A miopia do ter, vai embotando a realidade, entorpecendo os sentidos materializados, insulando a criatura em seus hiatos delirantes.

A libertação das cores e o renascer da Arte

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Uma terrível feiticeira resolveu aprisionar todas as cores. Aquele mundo colorido, afrontava a escuridão do seu ser. Aquela alma tisnada de maldade e amargor, começou a capturar as cores, uma após outra. Como cada cor representa uma porção da luz, tudo foi pouco a pouco escurecendo, até que a humanidade abismou-se numa tenebrosa escuridão.

O Príncipe, a verdade e os espelhos

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“...conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” . Jesus - João 8:32. Após grande hesitação, aquele Rei permitiu que o Tribunal do Santo Ofício, se instalasse em seu país. Presente na execução de uma jovem, sumariamente condenada pelos inquisidores por crime de feitiçaria. Na verdade, a desafortunada criatura, até ali não fizera nenhum mal, usara seus genuínos dons mediúnicos para o bem. Mas, dotada de uma exuberante beleza, Veritas cometeu o “pecado” de não ceder aos caprichos de um dissoluto Bispo.

Dezembro, fazendo a "conta"

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Um ano a findar, outro a começar, a vida seguindo na ininterrupta “contabilidade” do existir. O calendário parece nos convidar a fazer um balanço; computar débitos e créditos, lucros e prejuízos, inventariar ativos e passivos, analisar o “fluxo de caixa”, o desempenho das “aplicações”...

O diferente igual de cada um

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Percepção, ponto de vista, olhar, expectativa, interpretação, capacidade, momento... Uma mesma coisa pode ser vista ou entendida de forma diversa por diferentes pessoas. Como naquele caso em que um copo preenchido pela metade, foi apresentado a duas pessoas. Uma descreveu o copo como “meio cheio” o outro o definiu como “meio vazio”. Algum deles estava errado? Há ainda o episódio do palestrante que fazendo um pontinho na lousa, perguntou à assistência o que via. Quase ninguém foi capaz de enxergar nada além do minúsculo ponto...

Muito pouco e pouco muito

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Muito verbo e pouca verve, muita ficação e pouco amor; muito consuma e pouco preserve, muito jardim e pouca flor. Muito Facebook e pouca realidade, muito dito e pouco feito; muito discurso e pouca verdade, muito dever e pouco direito. Muita lei e pouca legalidade, muito moralismo e pouca ética; muita propaganda e pouca veracidade, muita maquiagem e pouca estética.

A pedra. Uma prosa da poesia

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Comumente, o mal ou o bem não está numa coisa por si só, o destino que lhe dá a mão humana, é que faz toda a diferença; como o remédio que pode matar ou o veneno que consegue curar. A pedra, um dos primeiros objetos trabalhados e utilizados pelo homem, experimenta essa dual versatilidade: Construindo ou destruindo, protegendo ou ferindo...

Memória

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Cuidadora da cultura, Zeladora da civilização... A memória é a guardiã do tempo, testemunha do ido que ficou, do que passa sem passar; o aprendido e o esquecido, revelado ou escondido...

Vira pó

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Tudo: A ambição desmedida, a usura incontida. O carro bacana, a ostentação tirana. O preconceito explícito, o racismo implícito. A pressa urgente, a corrida demente. O poder que cega, o ter que apega. A posse ilusória, a certeza provisória. A arrogância do título, o orgulho ridículo. A pretensa nobreza, a aversão à pobreza. A vaidade acadêmica, a superioridade polêmica.

A arte de reencarnar

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imagem. #PraCegoVer" border="0" data-original-height="375" data-original-width="500" src="https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhFriMcV4bFhyphenhyphend4QQurYyu4Hfje4wxzhtrsjr6nLYjkUf3txahJlaj-6zhTVrDR2h2pxSxyr7Oe2akFS1xtIsft-5jwNAA7EeKUfqd3UF4BIdQNkvizGkCcDagfdjOZ2T3B1vHQf8vW88E/s0/apontela.jpg" title="Composição de Antonio Pereira Apon." /> A vida é feita de começo, meio e recomeço. Dos "reinos inferiores" aos altiplanos do infinito, as reencarnações transformam a essência do ser. Como em tudo na natureza: "nada se perde, nada se cria. Tudo se transforma". Pouco a pouco, o "homem velho" transmuta-se em "homem novo", o Tempo como um caprichoso artista, vai extraindo do denso monólito, a obra-prima da evolução. Dos rabiscos rupestres a mais avançada tecnologia, o traço das sucessivas encarnações, desenha a odisseia dos seres nas sendas do progresso, pigmentando

Um museu de envelhecidas novidades

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Tecnologicamente vivemos tempos onde o que ainda não é novo, já é velho e o “moderno” já nasce sentenciado à obsolescência. Um computador top de linha, vira “carroça num piscar de olhos, o videocassete com seu sistema autolimpante e suas tantas cabeças de leitura, virou sucata; o fax tornou-se uma peça um tanto retro, o CD já vai com o “pé na cova”, enquanto o DVD agoniza (o blu-ray que se cuide). A TV de tela plana e tubo de raios catódicos, ainda funcionava bem, quando a novíssima LCD já cedia espaço para o LED, que já é 3D, smart e vai virar ultra HD, OLED...

A vida precisa transitar. A morte não

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Mais que veículos e pedestres, em nossas ruas, avenidas e estradas, transitam vidas. Não números, objetos ou abstrações. Pessoas! Gente como eu e você

Tempo, temporão, temporal

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O tempo é a porta, a ponte, a janela, o porto, o barco, é o mar. É lugar algum e algum lugar. Contem, está contido; é o agora que já foi, o amanhã que logo vai

Palavra ou palavrão? Você é quem diz!

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O tênue limite entre a palavra e o palavrão, geralmente é determinado pelos usos, abusos e costumes que podem se modificar com o decorrer do tempo. Uma simples palavra pode tornar-se um pesado palavrão e vice-versa. É o caso do versátil substantivo feminino que vamos tratar aqui. Hoje exprimindo admiração, alegria, espanto, simpatia, entusiasmo, aversão, raiva, carinho, surpresa, chateação, impaciência... Em sua dilatada “gramaticidade”, pode aparecer como interjeição, adjetivo, advérbio, conjunção... Como podemos notar, não é aquela esponja de aço, mas tem “mil e uma utilidades”. Originalmente, o vocábulo designava uma tosca arma de madeira, um pedaço de pau com uma protuberância onde eram incrustados pedaços de metal, como pregos. Cacete, porrete, clava... diz-se também tratar-se de uma espécie de cetro eclesiástico, usado por autoridades da Igreja, entre os séculos XIII e XV. Dai, do latim, chegamos

Infelicidade programada

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... os ouvidos superlativam palavras, acordam a língua contundente e desatinada. Gênios indomados; de ego em riste... Vivem a ruminar o passado, indiciando “culpados” para suas culpas, exumando ressentimentos a pretexto de pretensas razões. Atidos, contidos; cativos dos próprios fantasmas, de um “autismo” mal arranjado

A fila há de andar

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Na fila da vida, uma gente indigente, errante penitente; ruminando azar e sorte, aguardando a morte chegar. Numa “Biafra nordestina”, ressequidos destinos vão carpindo sua sina; numa desgraçada cracolândia, no Haiti de cada gueto...

Vaso de poesia

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Em um vaso; cabe flores, cabem cores; cabe um tanto de jardim. Cabe um que de primavera, porção de terra da Terra; cabe um quinhão de mim. Cabe uma dose de sonho, parte finita de infinito, minifúndio para se assenhorear. Cabe uma fração de vida, fragmento de lida, semente a germinar.