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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Porquês

Porquês

Por: Antonio Pereira (Apon)

 

São tantos os porquês da vida...

Por que da dor? Por que da lida?

São tantas idas e vindas...

Chegadas...

Partidas...

Se no hoje, não vemos resposta,

Certamente, o ontem guarda a razão.

O amanhã, desvendará a incógnita,

Não há por quê? sem solução

Seguir em frente é o caminho,

Nosso por que de aqui estar.

Cantar que nem passarinho,

Não ter medo de voar.

Tudo aqui é passageiro,

Um pingo de tempo,

 Uma gota do mar do infinito,

Um convite bonito para a vida viver.

Aqui, ali, acolá...

Somos nômades do existir,

Reencarnantes viajores,

Alquimistas de sorrisos e dores,

Lidadores do evoluir.

Na fartura e no estil.,

Entre a Bonança e a tempestade,

No Calor e no frio,

Indigência, majestade...

Entre a luz e a sombra,

Levantar, cair...

A coragem desassombra,

O melhor há de vir.

É de fé e esperança,

Aprendizado e amor.

A vitória que alcança,

Quem faz a si seu senhor.

Deus ajuda quem labora,

O destino em pró vai conspirar.

Mas quem deixa o tempo ir embora,

Volta para o que perdeu expiar.

Não se preocupe com porquês,

Mas com o que lhe cabe fazer.

O "impossível", entregue ao Criador!

Do possível, assuma agora a autoria!        


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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original: Antonio Pereira (Apon) (Além do nome do autor, cite o link para o site http://www.aponarte.com.br). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.





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Educação pra que? criar cobra pra me morder?

Educação pra que? Criar cobra pra me morder?

Por: Antonio Pereira (Apon)

 

Um próspero fazendeiro foi eleito prefeito de uma cidadezinha lá nos cafundós da Bahia. Nepotismo à parte, nomeou sua filha como Secretária de Educação do município.

Diferente do pai, ela era uma pessoa séria e compromissada. Diante do quadro caótico que encontrou, foi conversar com o Alcaide:

- Meu pai as escolas estão uma lástima, falta tudo e mais um pouco. Ainda temos professores leigos, tetos ameaçando cair, esgoto no meio de sala de aula, bibliotecas defasadas. Temos que mudar isso para pudermos dar uma educação com o mínimo de qualidade.

- Minha filha, basta que esse povo aprenda a ler e fazer conta. Insiná muito pra essa gente não dá certo, vão começar a cobrá direito, querer milhô condição... Aqui eu finjo que pago, as iscola faz de conta que funciona, o professor finge que insina, os minino finge que aprende e tá tudo bem.

- Que absurdo papai!

- Ocê acha qui se essa gentalha tivesse instrução, ia me eleger prefeito? E eu ainda quero chegar lá na presidênça do país. Dá bom istudo pra pobralhada, é o mesmo que criá cobra pra mi mordê. Eles gnorante, aceita tudo, não reclama nada e eu tapio com uns agradinho vez in quando.

- Mas eu estudei sempre nas melhores escolas e universidades particulares... Eu queria dar um pouco de dignidade para meus conterrâneos. Mas desse jeito eles nunca vão melhorar de vida...

- Filhinha esqueça dessas coisa que ocê aprendeu na cidade grande. Iscola particulá forma quem manda, iscola pública é pra tapiá quem vai obedecê.

A secretária entregou o cargo e se mudou para a capital. O resto continuou como dantes.

Pena que a metástase da deseducação e da politicagem esteja matando a cidadania de tantos brasileiros. Pense nisso na hora de votar. Procure saber como anda o ensino público na sua cidade, no seu estado.


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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um portal

Este texto é contra-indicado para os rigoristas e puristas ortodoxos que consideram textos literários, mensagens, parábolas e analogias, como coisas piegas e não harmônicas com a doutrina espírita. Não ignoramos o movimento de rotação da terra, mas usamos aqui algo conhecido como sentido figurado.

 

Um portal!

Por: Antonio Pereira (Apon)

 

Um sábio caminhava com um seu discípulo na praia ao entardecer, quando o jovem aprendiz perguntou:

- Mestre, o que é a morte?

- A morte é o intervalo entre duas existências corpóreas

- Como assim?

- A morte é semelhante a noite que separa dois dias. Nosso espírito é como o sol, nosso corpo é como um dia.

- Não estou conseguindo entender...

- O sol que se põe hoje, é o mesmo sol que resurgirá amanhã. Mas o hoje e o amanhã são dias diferentes, ainda que brilhe o mesmo sol. Durante a noite, o "astro rei", cintila do outro lado da terra e não podemos vê-lo daqui, senão através da lua, que funciona como uma médium a refletir seu lume.

- Mas, e a morte?

- O espírito humano, é o sol que fulgura em cada um de nós. No ocaso de uma existência terrena, encerra-se um ciclo e como o dia que se vai, deixamos o corpo e vamos luzir do outro lado da vida, numa noite chamada erraticidade, um período onde perdemos Parcialmente o contato com o mundo físico, até que possamos reencarnar, renascer num corpo novo, como o amanhecer de um novo dia. Assim cumprimos o ciclo natural da vida.

- Então a morte é uma passagem?

- Uma ponte, um simples brincar de esconde-esconde. Hora aqui, hora lá. Um trocar personagens, permutar cenários. O fechar um capítulo dos múltiplos capítulos de nossa evolução, um "virar a página", um seguir em frente... Na verdade, não existe morte, sim o desencarne, o deixar a carne. Assim como a  cova é o berço da semente, o túmulo é o portal para um novo existir.

Os dois seguiram em silêncio, enquanto o crepúsculo recolhia os derradeiros raios de luz.


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domingo, 4 de abril de 2010

Quero morar lá

Quero morar lá!

Por: Antonio Pereira (Apon)

 

Eu quero morar num país chamado Publicidade. No estado da Propaganda, município das Mídias, bairro das campanhas, Rua do Merchant, num número qualquer. Lá é tudo tão bonito e diferente: são praças bem cuidadas, ruas e estradas limpas, sem buracos... A segurança pública é uma grande maravilha. A saúde é quase perfeita, dá até vontade de adoecer, só para ser tão bem tratado nos hospitais públicos. E as escolas. Que magníficas! Ensino de primeiríssima qualidade, como nunca antes na história de qualquer país.

Lá tem político honesto, tem governante sério, casa e comida para o povo, a bolsa família está acabando com a miséria, ninguém arruma factóide para ludibriar o eleitor, não tem obra superfaturada, nem recurso não contabilizado.

Lá é tudo perfeito! Tem emprego e não tem corrupção nem nepotismo. A justiça funciona, os presídios recuperam os presos, a cidadania é respeitada, as leis pegam, não há dinheiro em cueca nem meia e todos ganham o suficiente para comprar seus próprios panetones.

É lá que quero morar! Por favor, senhor marqueteiro! ...


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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Até algum dia!

Até algum dia!

Por: Antonio Pereira (Apon)

 

Hoje nos despedimos de um espírita de verdade, desses que colocam o ser humano acima das teorias e o amor ao próximo à frente das retóricas. Ele nos deixa num 1º de abril, talvez para nos dizer que a morte é uma grande mentira, uma farsa, simples brincar de esconde-esconde.

Deixou a "gaiola corpórea" e alçou seu vôo rumo a amplidão. Foi buscar outras flores unidas, nascidas em um novo arrebol, uma nova aurora da vida que os anos não traziam mais.

Nossas lágrimas, não são gotas de tristeza, são pingos de saudade, de quem na humana condição, assiste um ser querido, nos anteceder nessa grande viagem, no retorno à verdadeira vida.

Ficam as lembranças, os exemplos e o grande lamento que nos envolve nessa hora, o lamento de não nos termos permitido dizer-lhe quanto era importante, o quanto de espaço ocupava em nossos corações, o quanto valeram aqueles domingos de estudo e poesia com bolo de cenoura, as terças de evangelho, nossas reuniões de psicografia... ... ...

Mas é chegada a hora, não de dizer adeus! Mas até logo, até algum dia! Segue em frente seu Milton, voa alto seu Miltinho. Que o Cristo e toda a espiritualidade superior te acolham num abraço luminoso, como bem merecem as grandes almas, que aqui na terra, fizeram da simplicidade, a grande superioridade e sabedoria.