Palavras mal ditas
Você domina sua língua ou ela te domina? 🤐 Um poema brutal e honesto sobre "palavras baldias", provérbios e o "arrotar" de um silêncio malsão. Leia!
Quantas vezes a sua língua foi mais rápida que o seu pensamento? Neste poema visceral, eu exponho o labirinto de arrependimentos que surge após as "palavras baldias". Uma reflexão onde a poesia e a sabedoria popular se encontram para digerir o "palavrório oco" e o silêncio que ele causa. É o convite perfeito para polir a "preciosa joia" que é a sua fala.
Aqui,
a poesia versa o que á língua costuma negar,
a sapiente, silente pausa,
o risco do arrisco;
no versar o mal dito se pode trocar,
no falar, faz-se vento a tormentar.
Atirei palavras ao vento.
Falei de um tudo,
mas não disse nada;
palavras ao léu,
ao bel-prazer de um palavrório oco,
sem quê nem pra quê,
sem um porque de ser.
Apenas palavras baldias.
O tempo ruminou cada uma delas,
devorou palavra por palavra.
Arrotou:
um silêncio.
Malsão, mal parado;
mal resolvida resposta aos nadas ditos,
às meras palavras mal ditas,
maldito palavreado a me desdizer;
aziago, travo amargo da vã falação.
Falei tudo o que quis,
e do que nem quis, também falei;
ouvi bem mais do que queria.
Me enrolei nas palavras,
nas palavras me enovelei;
nelas terminei emaranhado.
De dedo em riste, tropecei na língua.
Protagonizei os bem ditos ditados:
“A língua fala, o corpo padece”,
“Quem fala demais, dá bom dia a cavalo”.
Não que o cavalo não mereça um bom dia;
creio que aqui me fiz entender.
Até o Cristo,
asseverou a todo “boca de sacola”:
“Não é por muito falar que sereis ouvidos”,
“A boca fala do que está cheio o coração”.
A palavra é preciosa joia,
não é arma nem armadilha;
é sutil instrumento da mais desejável precisão,
não se presta à vociferação vulgar,
à falação vazia,
vadia parlapatice, viciada verbosidade;
oportunidade perdida; a de ficar calado, quando não se tem o que dizer.
Logo eu, que não me contenho,
não engulo :
“A melhor resposta, é aquela que não se dá”.
Assim, sigo bem definido e apalavrado nos adágios:
“Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”,
“A palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro”.
E já me assombra o antigo provérbio,
aquele que apavora todo falastrão:
“Caveira, quem te matou? Foi a língua meu senhor”!
Palavras mal ditas, malditas palavras.
Já disse algo que se arrependeu no segundo seguinte? 🤐 Esta reflexão é um espelho para quem costuma "tropeçar na língua".
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