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Palavras mal ditas

Você domina sua língua ou ela te domina? 🤐 Um poema brutal e honesto sobre "palavras baldias", provérbios e o "arrotar" de um silêncio malsão. Leia!

Quantas vezes a sua língua foi mais rápida que o seu pensamento? Neste poema visceral, eu exponho o labirinto de arrependimentos que surge após as "palavras baldias". Uma reflexão onde a poesia e a sabedoria popular se encontram para digerir o "palavrório oco" e o silêncio que ele causa. É o convite perfeito para polir a "preciosa joia" que é a sua fala.

Homem de pele morena e cabelos grisalhos está sentado em um gramado verde, em frente a um lago coberto por plantas aquáticas, com árvores altas ao fundo. Ele apoia o queixo na mão, em postura pensativa. À esquerda, uma boca humana isolada, flutuante, está aberta e emite um emaranhado de fios pretos grossos e contorcidos. Esses fios se projetam para cima e para a direita, estendendo-se sobre a cabeça do homem e cruzando o ar acima do lago. À medida que avançam, o emaranhado se transforma em várias flechas de metal polido e pontiagudo que voam em formação. No plano de fundo, flutuando no ar acima do lago e à direita, há uma grande e antiga ampulheta de metal dourado e vidro. O interior da ampulheta está cheio de inúmeras letras minúsculas de alfabetos diferentes, que caem de uma câmara para a outra no lugar da areia tradicional. #PraCegoVer #ParaTodosVerem
Quando as palavras emaranhadas se transformam em flechas de tempo e letras se tornam grãos de areia: uma exploração poética sobre a arte de viver e o tempo. – Imagem gerada e descrita por inteligência artificial.

Aqui,
a poesia versa o que á língua costuma negar,
a sapiente, silente pausa,
o risco do arrisco;
no versar o mal dito se pode trocar,
no falar, faz-se vento a tormentar.

Atirei palavras ao vento.
Falei de um tudo,
mas não disse nada;
palavras ao léu,
ao bel-prazer de um palavrório oco,
sem quê nem pra quê,
sem um porque de ser.
Apenas palavras baldias.
O tempo ruminou cada uma delas,
devorou palavra por palavra.
Arrotou:
um silêncio.
Malsão, mal parado;
mal resolvida resposta aos nadas ditos,
às meras palavras mal ditas,
maldito palavreado a me desdizer;
aziago, travo amargo da vã falação.
Falei tudo o que quis,
e do que nem quis, também falei;
ouvi bem mais do que queria.
Me enrolei nas palavras,
nas palavras me enovelei;
nelas terminei emaranhado.
De dedo em riste, tropecei na língua.
Protagonizei os bem ditos ditados:
“A língua fala, o corpo padece”,
“Quem fala demais, dá bom dia a cavalo”.
Não que o cavalo não mereça um bom dia;
creio que aqui me fiz entender.
Até o Cristo,
asseverou a todo “boca de sacola”:
“Não é por muito falar que sereis ouvidos”,
“A boca fala do que está cheio o coração”.
A palavra é preciosa joia,
não é arma nem armadilha;
é sutil instrumento da mais desejável precisão,
não se presta à vociferação vulgar,
à falação vazia,
vadia parlapatice, viciada verbosidade;
oportunidade perdida; a de ficar calado, quando não se tem o que dizer.
Logo eu, que não me contenho,
não engulo :
“A melhor resposta, é aquela que não se dá”.
Assim, sigo bem definido e apalavrado nos adágios:
“Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”,
“A palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro”.
E já me assombra o antigo provérbio,
aquele que apavora todo falastrão:
“Caveira, quem te matou? Foi a língua meu senhor”!
Palavras mal ditas, malditas palavras.

Já disse algo que se arrependeu no segundo seguinte? 🤐 Esta reflexão é um espelho para quem costuma "tropeçar na língua".

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