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Resposta do “Quintal”: Bosofão, Flaviano (o vira-latas leviano) e a taxação de Trumpolho

Fábula satírica sobre Flaviano, o vira-lata que late em inglês, apoia as taxações de Trumpolho e chora pelo pai Bosofão. Riam com a crise do canil!

Uma sátira política hilária e afiada que expõe o "complexo de vira-lata" levado ao extremo. Acompanhe as desventuras de Flaviano, o cão entreguista que aplaude a própria fome e reza para pneu, enquanto seu pai Bosofão enfrenta o xerife Chandão. Uma fábula divertida, irônica e indispensável sobre a soberania do nosso “quintal”!

No cenário de uma rua de terra e poeira, ao lado de um muro de concreto rachado, um vira-lata magro de pelo castanho-desbotado está sentado na lama. O cão tem uma expressão delirante e de extrema adoração, com os olhos fixos no horizonte. No pescoço dele, há uma gravata borboleta torta e suja feita de plástico azul e vermelho. Ao fundo, do lado direito, uma caminhonete se afasta em alta velocidade, deixando uma densa nuvem de poeira. Pelo vidro traseiro do veículo, um imenso cão da raça Mastim, exibindo um topete alaranjado artificial e bochechas caídas, olha para trás com uma expressão nítida de nojo e desprezo. A iluminação é de um sol tropical forte, gerando sombras marcadas. #PraCegoVer #ParaTodosVerem
Flaviano, o vira-lata leviano, olha com adoração delirante para seu ídolo Trumpolho, o Mastim, que parte na poeira da caminhonete, deixando-o na lama. – Imagem gerada e descrita por inteligência artificial.

No topo de um muro rachado, sob o sol escaldante da tarde, delirava Flaviano, o leviano. Era um vira-latas mitômano de pelo castanho-desbotado e orelhas caídas, um típico SRD (Sem Raça Definida), mas, se alguém perguntasse, juraria de patas juntas que sua árvore genealógica vinha de seletos cães de caça de Connecticut. O alucinado usava uma gravata borboleta feita de um saco de lixo azul e vermelho, imitando a bandeira americana, e passava as tardes tentando forçar um sotaque nas mofinas. Sempre que o carteiro passava, em vez do tradicional "Au, au!", Flaviano estufava o peito magro e soltava um "Wúf, wúf!" anasalado e patético.
O ódio de Flaviano pelo próprio bairro tinha raízes familiares. Ele era filho de Bosofão, um cachorro velho, ranzinza e cheio de tiques nervosos, que costumava liderar uma trupe de caninos pneuzistas sem noção no seu cercadinho. Bosofão não se conformava com o fato de a matilha ter escolhido Luizão — um cão maduro, barbudo, que já rodou muito pelas ruas e conhece cada buraco do asfalto. Luizão era adorado pelos cães mais simples porque sempre procura dividir tudo de forma justa e defende o quintal que é de todos os locais, a soberania do pedaço.
Incapaz de aceitar as regras da rua, Bosofão, pilhado por Flaviano e sua turma de aloprados negacionistas, tentou dar um golpe na democracia da comunidade. Uma vergonha colossal: invadiram onde podiam e não podiam, morderam o imordível, derrubaram os potes de água e tentaram expulsar Luizão no grito.
Foi aí que as coisas desandaram para a cachorrilha bosofã. Do meio da poeira, surgiu Chandão, um cão de guarda austero, imponente e completamente despelado, cuja careca reluzia ao sol como o reflexo da própria lei. Chandão era o xerife da região e não tolerava bagunça. Sem piscar, o cão despelado soltou um latido grave que fez a cachorrada temer, aplicou um canhotaço certeiro em Bosofão e o mandou direto para a carceragem, sem mimimi, por atentado à sanidade geral.
Desde então, Flaviano e sua turma de aloprados viviam espumando de ódio contra Chandão, acusando o xerife despelado de criar uma "ditadura canina" só porque ele não os deixava morder os outros em paz.
Para Flaviano, a única salvação para o quintal era a intervenção estrangeira. E o dia mais glorioso de sua vida foi quando o portão do casarão do condomínio de luxo se abriu e de lá desceu Trumpolho. Ele era um Mastim imenso, com um topete alaranjado visivelmente artificial que balançava ao vento, bochechas caídas cheias de arrogância e um olhar semicerrado de quem odiava o mundo.
Ao ver seu ídolo, Flaviano, como todo bom sabujo, entrou em transe. Esqueceu qualquer dignidade: jogou-se na poeira de barriga para cima, arrastou-se e começou a abanar a cauda com tanta força que corria o risco de deslocar o quadril. Para mostrar serviço ao novo mestre e vingar o pai preso, Flaviano começou a rosnar e a dar rasteiras nos cães que seguiam Luizão: — Vaza daqui, seus vira-latas comunistas de coleira! — latia Flaviano, em seu inglês transgênico. — Curvem-se à imponência do meu senhor!
Trumpolho parou. Olhou para baixo com o nojo de quem pisou num chiclete mascado. Soltou um bafo de ração cara e decretou para o condomínio ouvir:
— Para garantir a supremacia do meu quintal, o império vai agir. A partir de hoje, haverá uma taxação de 25% sobre tudo e qualquer coisa: comida, água, raridades... tudinho que pintar por estas bandas. É o imposto da supremacia! E se reclamarem, eu mordo!
A matilha local rosnou, indignada com o roubo descabido. Luizão deu um passo à frente, defendendo que a calçada tinha soberania e que os cães brasileiros não seriam escravizados. Mas Flaviano? Flaviano deu saltos de alegria, uivando de felicidade, balançando o rabiosque.
— Genial! Magnífico! — exclamava o cão leviano, entregando o próprio osso de galinha para o Mastim. — Vejam como Trumpolho é visionário! Ele está nos punindo para o nosso próprio bem! Isso é pedagogia de mercado! Ele confisca nossa água para valorizar a nossa sede! Viva o livre mercado de Trumpolho!
A festa dos aloprados durou pouco. Ao ver a baderna e a tentativa de entrega do patrimônio canino, o chão tremeu novamente. Lá vinha Chandão, caminhando rigidamente com sua silhueta lustrosa e implacável.
Chandão encarou Trumpolho olho no olho. O Mastim alaranjado, que adorava bravatas na internet canina mas detestava cachorros que não tinham medo dele, recuou um passo.
— Latido ameaçador em solo nacional sem autorização das normas é crime de descumprimento soberano! — trovejou Chandão. — E subversão ao líder eleito dá direito a focinheira!
Trumpolho bufou, ajeitou o topete alaranjado e, percebendo que ali o buraco era mais embaixo, resolveu dar meia-volta e entrar na sua casinha com ar-condicionado, batendo o portão.
Ao ver seu ídolo amarelar diante da lei, Flaviano ficou ensandecido. Corria em círculos na calçada, espumando pela boca:
— Ditadura careca! Tirania despelada! O Chandão está cerceando o meu direito sagrado de ser pisoteado por um americano! Quero o meu Bosofão livre e o Trumpolho no comando!
Chandão nem piscou. Caminhou calmamente até Flaviano, aplicou-lhe um rosnado de advertência que o fez enfiar o rabo entre as pernas e confiscou sua gravata de plástico suja por "atentado contra os símbolos do quintal".
O tempo passou. O dono de Trumpolho vendeu a casa e colocou o grande cão na traseira de uma caminhonete; iam embora em definitivo para Miami. Flaviano, magro, sarnento e sem gravata, correu atrás do carro com as forças que lhe restavam, choramingando e implorando para ser levado junto, mesmo que fosse amarrado no escapamento.
Trumpolho olhou para trás pelo vidro. Viu aquela criatura deplorável na lama e rosnou para o dono, como quem diz: "Acelera o carro, que aquele bicho sarnento do sul quer sujar o pneu". A caminhonete arrancou, deixando uma nuvem de poeira sufocante na cara de Flaviano.
O cão leviano caiu sentado na calçada vazia. Luizão aproximou-se com o resto da matilha, olhando para ele com uma mistura de pena e deboche, enquanto dividia um belo pedaço de carne com os outros.
— E aí, Flaviano? Cadê o teu passaporte? Cadê o teu mestre? — perguntou Luizão, calmamente.
Flaviano limpou a poeira dos olhos, olhou para o horizonte onde a caminhonete sumira e, com um sorriso amarelo e delirante, abanou o indigno rabo para a poça de lama:
— Vocês não entendem nada de geopolítica... O grande Trumpolho e o meu pai Bosofão estão me testando! Eles me deixaram aqui como um agente infiltrado para desestabilizar o sistema por dentro... Wúf, wúf! A vitória está próxima!
E assim, Flaviano continuou a latir para a parede, rezando para pneu, com fome, com frio, mas com a certeza absoluta de que, se continuasse sendo um bom vassalo, um dia ganharia um biscuit em dólar.

Como diz o velho ditado: “Quem muito se abaixa, o fundilho aparece”.

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