Hoje é dia de...

Não quero. Eu quero...

Uma reflexão poética sobre liberdade, fragilidade e realidade: o desafio de aceitar as contradições e a riqueza de ser humano.

A liberdade, a beleza, a força e as contradições da existência humana. Entre metáforas da natureza e questionamentos filosóficos, a poética musicada propõe um olhar realista sobre nossas fragilidades, transformações e responsabilidades. Descubra por que ser humano é aceitar a imperfeição, enfrentar riscos e construir a própria maneira de viver.

Em primeiro plano, um homem de cabelos grisalhos e barba, com expressão contemplativa, olha para o horizonte iluminado pelo sol. À esquerda, em uma paisagem sombria, há uma gaiola de metal aberta, uma ave voando para fora, uma flor murcha em um vaso de vidro e pedras empilhadas. Na parte inferior desse lado, fogo, água revolta e terra rachada representam as forças da natureza. À direita, o céu se abre em tons dourados sobre montanhas, um vale e uma cidade distante. Um caminhante solitário está sobre uma elevação, voltado para o sol. Acima dele, rostos translúcidos de pessoas de diferentes gerações — uma criança, mulheres e homens adultos e uma pessoa idosa — parecem emergir das nuvens. A luz fria e azulada do lado esquerdo contrasta com o dourado acolhedor do lado direito. A imagem sugere a passagem do tempo, a liberdade, a fragilidade e a complexidade da experiência humana. #PraCegoVer #ParaTodosVerem
Entre a liberdade idealizada e a realidade imperfeita, existe a coragem de viver, mudar e assumir a condição humana. – Imagem gerada e descrita por inteligência artificial.

Não quero ser livre como um pássaro!
O mundo anda cheio de gaiolas, alçapões, atiradeiras...
Não quero a beleza das flores!
Ela é por demais fugaz,
costuma terminar como adorno morto
em jarros belos, mas frios.
Não quero a paciência das pedras!
Pedras não se modificam,
tardam imutáveis,
aguardando mudanças exteriores.
Não quero a força dos elementos!
Terra, fogo, ar e água
são por demais poderosos.
Não quero didáticas metáforas!
Abstrações podem distrair a razão.
Quero a liberdade de ser humano!
Me expor, correr riscos humanos.
Quero a beleza humana!
Que enruga,
envelhece experienciando o tempo.
Quero a impaciência humana!
Desacomodada, inconformada;
inconstante, mutante, potencial metamorfose.
Quero a força de ser humano!
Frágil poder mortal,
que nos obriga humildes, cooperativos, interdependentes.
Quero o pragmatismo de ser humano!
A metodologia da realidade;
lucidez dos fatos,
capaz de acordar sonhos,
sepultar ilusões...
Quero simplesmente
ser humano!

Este poema postado aqui em 21 de junho de 2014, revisado e musicado em 12 de outubro de 2026, não rejeita propriamente a liberdade, a beleza, a paciência ou a força. Ele questiona a idealização dessas qualidades quando transformadas em modelos abstratos para a vida humana.
Liberdade: o pássaro parece livre, mas o mundo está cheio de gaiolas, armadilhas e ameaças. A liberdade humana não é uma condição garantida; envolve exposição, escolha e risco.
Beleza: a flor é bela, mas sua beleza é efêmera e pode terminar aprisionada num vaso ornamental. A imagem questiona uma beleza reduzida à aparência e separada da vida.
Paciência: a pedra resiste, mas sua imobilidade não é necessariamente virtude. O poema prefere a inquietação de quem pode se transformar e participar das mudanças.
Força: os elementos naturais são poderosos, porém essa potência não equivale à capacidade humana de reconhecer limites, cooperar e agir conscientemente.
Pragmatismo: o desfecho não propõe abandonar os sonhos, mas confrontá-los com os fatos. A lucidez pode despertar projetos possíveis e sepultar ilusões que impedem a ação.
A progressão narrativa é importante: o texto começa com uma sequência de recusas — “Não quero” — e avança para afirmações de identidade — “Quero”. Essa mudança transforma a negação em escolha consciente. O eu lírico deixa de definir aquilo que não deseja imitar e passa a afirmar aquilo que aceita viver.
Há também uma tensão filosófica produtiva: o poema rejeita as metáforas didáticas, mas constrói sua própria reflexão por meio de pássaros, flores, pedras e elementos. Isso não precisa ser entendido como contradição involuntária. A questão não é abolir os símbolos, mas impedir que eles substituam a realidade que deveriam ajudar a compreender.
A ideia mais contundente está na fragilidade humana. A mortalidade, longe de aparecer apenas como defeito, surge como condição que pode favorecer a humildade, a cooperação e a interdependência. Somos limitados e, por isso mesmo, precisamos uns dos outros.
O poema tampouco defende um realismo frio ou a desistência dos sonhos. Sua proposta é mais exigente: conservar a capacidade de sonhar sem perder o contato com os fatos; aceitar a imperfeição sem transformar a acomodação em virtude; reconhecer a própria fragilidade sem renunciar à ação.

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Comentários

  1. Também quero preservar ..." a beleza humana! / Que enruga, / Envelhece experienciando o tempo./Quero a impaciência humana! / Desacomodada, inconformada; / inconstante, mutante, potencial metamorfose..."
    Na dualidade do "Querer e do Não Querer" você superlativou-se em seu texto, Antonio! Surpreendente mensagem!
    Abraços.



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    Respostas
    1. Precisamos nos concentrar na pluralidade singular de ser humano. Aprender, viver, sobreviver, ser humano.

      Um superlativo obrigadoooooo!

      Um abração.

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  2. Oi, Apon, como vai?
    Seu poema me surpreendeu... por vezes me pego invejando a constância da natureza, mas de fato, o ser humano é mais surpreendente e evolutivo. Um abraço!

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    Respostas
    1. O ser humano tem vontade, livre arbítrio, capacidade de transformar transformando-se. É agente, autor do seu protagonismo.
      Tudo bem, tudo em paz.

      Um abração e uma boa semana.

      Excluir

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