Hoje é dia de...

Eu, eu mesmo e o eu lírico


Desenhando Mãos, litografia de Maurits Cornelis Escher. #PraCegoVer

Na complexa simplicidade do ser, o eu se revela plural e não singular. Na verdade, o que denominamos de eu, é um conjunto de “eus”; não sendo apenas uma personalidade, mas um amontoado de personas. Dentre essas, em particular: o autor, o poeta abriga em sua essência, uma quase entidade autônoma, o eu lírico, também chamado de eu poético, que pode “pensar e sentir” de forma absolutamente diversa de si.

A literatura, a arte em geral e particularmente, a poesia, não se subordinam aos pensares, sentires e quereres da pessoa física do autor. Comumente, o eu lírico se manifesta imprevisível e surpreendente, mesmo para a mão que escreve. Diante disso: o melancólico, pode escrever com esfuziante alegria; um deprimido, versar com entusiasmo otimista; alguém desiludido, nos deleitar revelando paisagens oníricas… O eu poético, transcende a qualquer rótulo: gênero, etnia, credo, estilo, nacionalidade, ideologia… Não se submete a regras, normas, vontades, modismos… Dono de inegociável livre arbítrio, não obedece nem diz amém ou bate continência; enfrenta, confronta, afronta, desafora. Diz o que quer, doa a quem doer.

Portanto, muitas vezes, não adianta me perguntar o porque disso ou daquilo, me cobrar uma interpretação. Meu eu lírico, quando questionado, apenas diz: “Isso é poesia! Não se explica, sente-se”. E pronto.

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