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Hoje é dia de quê?


Experiência de Quase Morte. O mito de Er

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Transmitido pela tradição oral, Platão, discípulo de Sócrates, traz-nos em A República, um relato de alguém retornado do Hades. O mito de Er, no qual, independente das injustiças, erros e prejuízos provocados, os espíritos errantes resgatavam, expiavam o mal perpetrado na Terra, para assim purificarem a alma em consonância com uma inteligência cósmica, essencialmente moral. Er, habitante arménio, Panfílio de nascimento, guerreiro morto em batalha ressuscitou 12 Dias depois da própria “morte”, narrando o que vira no além: Desprendida do corpo, sua alma viajou com outras até chegar a um espaço etéreo com duas aberturas para a Terra e outras duas, similares para o céu, entre as quais, juízes decidiam o destino de cada ser. Os justos iam para a direita, que subia ao céu; injustos, para a esquerda, desciam... Cada alma recebia uma nota, sentenciada conforme seus feitos.

Imperfeita percepção

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Tem gente que vive sem viver, sobrevive sem um querer. De tudo reclama, por tudo faz drama, já “mortos” sem morrer. Corpos perfeitos !

Um até...

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Quem disse que a morte é um fim? A vida segue numa outra dimensão. Recomeço, novo começo; navegar no espaço-tempo para aportar no infinito, onde o eterno se explicita em encontros e reencontros. Para trás, os instantes doridos, os momentos sofridos, sob as pegadas dos passos deixados nessa Terra; as lágrimas que entristeceram a alegria. Em frente, colher nos braços os abraços furtados, adiados. Recolher a floração do bem semeado, das palavras benditas, das emanações de amor. E ali mais em frente, ver a felicidade ressorrir, ressurgir qual uma Fênix sobre as cinzas de todas as dores passadas.

É você

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Se penso, meu pensamento é você. Se sonho, meu sonho é você. Se desejo, meu desejo é você. Se amo, meu amor é você. Você já faz parte de mim, parte bela de mim. parte inteira do meu coração; você é do sol o calor, é da lua o clarão, do mar o rumor,

Inimigo

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Inimigo. Inimigo é o amigo, que ainda não fizemos; é a pedra bruta que desconhece a mão do artista, é a terra inculta aguardando a dádiva do plantio;

Sobreviventes urbanos

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Vamos sobrevivendo, fingindo, querendo viver. Bandidagem liberta, cidadãos numa semiaberta, imposta “prisão domiciliar”. No bolso, tem que ter “o do ladrão”; para arriscar a sorte, tentar fugir da morte na hora de não reagir.

Vidas por um cinto. Sinto...

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Hoje não tenho uma poesia nem uma prosa literária, mas, uma literal e triste crônica da vida real: segunda-feira, 03 de julho de 2017, pouco mais de nove da noite, um amigo nosso levava uma amiga para casa, quando perdeu o controle do carro e chocou-se contra um poste. Com o impacto, ambos foram projetados contra o para-brisa; ela teve ferimentos leves e moderados, ele entre outras contusões, bateu o abdome violentamente contra o volante. Os dois estavam sem o cinto de segurança. Socorridos pelo SAMU, ele deu entrada no hospital com forte dor na barriga… Na mesa de cirurgia, os médicos não puderam resolver aquela extensa lesão no fígado, uma forte hemorragia o tirou dos amigos, da família, dessa vida. Não costumo me apegar ao: se… Ao talvez…

Querido defeito de estimação…

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A Rainha Má do conto de Branca de Neve, consulta o “Demônio Familiar” do seu espelho mágico , para saber quem era a mulher mais bela. Quando a resposta do “Gênio Mal”, contraria suas expectativas, ela se toma de ódio e tenta exterminar sua “adversária”, o seu “problema”. Todo ser humano, carrega seu lado obscuro que precisa ser domado, educado e por fim; dominado, devidamente vencido. É aquela sombra, remanescente de nossos atavismos, aquilo que sobrevive nos guetos do inconsciente intentando se insurgir, roubar as rédeas da consciência e pôr suas “manguinhas de fora”: O orgulho inconfesso, a vaidade apercebida, a arrogância insuspeita...

Quem, qual a sua Nêmesis?

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Na mitologia grega, Nêmesis era uma deusa da segunda geração, filha da deusa Nix. Sendo inclusive, citada como filha de Zeus com a deusa Têmis. Apesar de nascida entre os deuses trevosos, vivia no monte Olimpo, corporificando a vingança divina. Com o passar do tempo, a palavra passou a designar algo ou alguém que merece, reclama exemplar retaliação: Inimigo odioso, adversário terrível, opositor desprezível... Incumbida de punir o descomedimento, combater o excesso de felicidade, vaidade, soberba, orgulho dos reis. Nêmesis, exemplifica seu caráter, castigando Creso, rei da Lídia. Homem muito feliz com suas riquezas e com seu poder, foi levado à guerra contra Ciro, rei da Pérsia. Sendo derrotado, arruinado e por demais infelicitado. Já Narciso , superlativamente alegre, vaidoso de sua beleza singular, se achava, desprezando o amor de incontáveis ninfas. Para vingá-las, Nêmesis provocou demasiado calor, fazendo o moço se debruçar sobre um lago de águas cristalinas para matar a súbita sed...

Mãos

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Mãos rústicas, mãos delicadas. Mãos modernas, mãos antigas; tecnológicas, artesanais mãos. Contundentes, balsamizantes; pesadas, leves mãos. Duras, macias; amargas, doces mãos. Mãos que dão, que se dão; que acolhem, que se recolhem. Mãos breves, duradouras; mãos que ficam e que se vão. Mãos anônimas, mãos famosas; egoístas, mãos dadivosas. Mãos tementes, mãos dementes; celestes, infernais mãos. Mãos plurais, mãos singulares; promíscuas, salutares mãos. Mãos curativas, mãos venenosas; socorristas, traficantes mãos.

As escolhas de Midas. E as nossas?

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A vida é feita de escolhas: Certas ou incertas, felizes ou infelizes… E temos que arcar com ônus e bônus do nosso escolher, ou não. Midas, lendário rei da Frígia, afamou-se por duas infelizes escolhas. Vejamos: Conta a mitologia grega, que Dionísio (Baco, para os romanos), Deus do vinho, dos ciclos vitais, das festas, da insânia, da inspiração, do delírio religioso/místico... Passeava pelos domínios de Midas, quando o sátiro Sileno, seu mestre e pai de criação desapareceu. Tendo “tomado todas” e mais algumas. “Trêbado”, o velho perdeu o caminho, sendo encontrado por camponeses e levado ao rei. Reconhecido por Midas, o ancião foi acolhido e muito bem tratado, sendo entregue alguns dias depois, são e salvo ao seu divino discípulo. Extremamente agradecido, Dionísio permitiu que Midas escolhesse uma recompensa. Fosse o que fosse, seu desejo seria atendido. E, apesar de já viver em plena abastança no seu rico castelo, junto com sua filha adorada. Midas queria sempre mais e muito mais. Ass...

Cabeças

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Cabeças pensantes, cabeças errantes. Falantes, silentes; conscientes, inconscientes cabeças. Cabeças altivas, cabeças bovinas. Cabeças sujeito, objeto; determinadas, indeterminadas, ruminantes cabeças. Cabeças que se fazem, cabeças que se deixam fazer. Agudas, obtusas; moles, duras cabeças. Cabeças poéticas, proféticas; fanáticas, patéticas cabeças. Cabeças equilibradas, obnubiladas; Cabeças que se acham, que vivem a se perder. Cabeças viventes, sobreviventes; plenas, cabeças indigentes. Cabeças minúsculas, cabeças maiúsculas; dementes, cabeças de gente. De homem, de mulher; a cabeça que houver. Religiosas, laicas; Ateias, agnósticas cabeças. Grandes cabeças, cabeças tacanhas; cosmopolitas, provincianas cabeças. Ociosas, operantes; inoperantes, cabeças desimportantes. Cabeças ricas, pobres; preciosas, depreciativas cabeças.

Voto de Minerva ou de me enerva?

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Trata-se do mito grego, no qual, a deusa Palas Atena, equivalente à romana Minerva, preside o julgamento do mortal Orestes. Sendo Minerva a deusa da sabedoria, o voto de Minerva refere uma escolha sábia, certa, justa, coerente... Segundo Ésquilo, tudo começou quando Agamenon ofereceu sua filha em sacrifício aos deuses, no intuito de vencer a lendária Guerra de Troia. Furiosa com a morte da filha, e influenciada pelo amante Egisto, sua esposa Clitemnestra, o assassinou. Como vingança pelo homicídio do pai, Orestes matou a própria mãe e o citado amante.

Enamorados namorados

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Um abraço, um laço, enlaço, entrelaço de corações. Namorados enamorados: O barco e o cais, côncavo e convexo, amplexo, gosto de quero mais.

Com a palavra, a palavra!

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A palavra tudo pode: Diz e desdiz, liberta e prende; ensina e aprende, professora e aprendiz. Cura e faz viver, elogia e ofende; apaga e acende, vivifica e faz morrer. Explica e complica, alivia e faz doer; facilita, implica, fragilidade e poder. Veneno e remédio, saber e ignorância; euforia e tédio, velhice e infância. Ponte e muralha, caminho, descaminho; paz e batalha, desabrigo e aninho. Sagrada e profana, erótica e casta; safada, puritana, fartura e falta. Tirana e democrática, compassiva e cruel; poética, patética, confiável e infiel. Respeitosa e irreverente, recatada e pecadora; responsável e inconsequente, edificante, devastadora. Douta e leiga, erudita e popular; grosseira e meiga, de amar ou pra odiar. Pobre, nobre, elevada e rasteira; ouro e cobre, relevância e asneira. Substantiva, adjetiva, plural e singular; ativa, passiva, regular e irregular.

Quando

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Quando te fizerem chorar, lembra de alguém que sempre buscou te fazer sorrir. Quando te sentires fraca, não esqueça de quem lhe mostrou o caminho da sua força interior. Quando o medo te visitar, lembra de quem sempre se fez coragem para te dar coragem.

Você e o tempo

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Debruçado na janela do tempo esperei por você. Passaram os minutos, as horas passaram, passou o dia, só você não passou; passou a manhã, a tarde passou, chegou a noite, só você não chegou; se foi o sol, o calor do dia se foi,

Velas

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Vela de levar, vela de velar; vela para navegar, vela para não vagar. Vela que queima, vela que teima; vela que um sopro apaga, vela que o sopro afaga; vela de parafina, tão finda… Vela de poliéster tentando infindar.